A Palavra do Presidente
Aos trabalhadores e associados de A Voz do Operário
| Jornal - A Palavra do Presidente |
Após um primeiro ano de mandato, em que a Direcção actual procurou equilibrar a situação financeira de A Voz do Operário; após outro ano, o de 2008, em que aprofundámos uma orientação de trabalho baseada na elevação da qualidade das iniciativas (caso da homenagem a Adriano Correia de Oliveira, em Outubro de 2007), com a homenagem à Fundação Calouste Gulbenkian, no início das comemorações do 125º Aniversário, na criação de uma imagem e mensagem de solidariedade com A Voz, sobretudo nos sentidos de uma campanha de fundos ambiciosa, na resolução do problema com o Ministério da Educação/DRELVT e na realização de iniciativas prestigiantes a culminar no espectáculo no Pavilhão Atlântico – na evolução positiva que conseguimos, de qualidade, de maior exigência e rigor, cabe-nos agora, à Direcção de A Voz do Operário, prestes a iniciar o terceiro ano de mandato, definir, com a maior exigência e exactidão que nos for possível, as linhas estratégicas e tácticas para avançarmos no que se impõe como missão decisiva.
Temos de continuar a elevar a qualidade e o rigor da direcção e da vida de A Voz do Operário, procurando incentivar a participação e o empenhamento dos trabalhadores, através da comunicação organizada dos resultados do inquérito aos trabalhadores e do diagnóstico que em 2008 foram levados a cabo e dos sinais que eles nos trouxeram.
Agora, temos de aprofundar as análises e a preparação de propostas, nomeadamente sobre as questões estruturais de A Voz do Operário, que se sobrepõem a outras, menos determinantes.
Partimos de uma realidade difícil. Temos 122 trabalhadores, servimos directamente cerca de quinhentas pessoas, na área educativa e no apoio domiciliário, para além de realizarmos outras acções e actividades que não são potenciadoras de recursos financeiros.
Quanto aos trabalhadores, fica claro, deve ficar claro, que teremos sempre uma atitude de respeito por direitos adquiridos; tudo faremos para que haja empenhamento na consciencialização de que A Voz do Operário é uma instituição de solidariedade social que continuará a exercer o seu papel nas áreas educativa e social, de apoio e de estímulo à participação na construção de uma vida com dignidade e com exigência social e cultural por parte dos mais desfavorecidos; não damos nem daremos esmolas; não colaboraremos com políticas governamentais que procuram aconchegar a miséria, descansar e adormecer consciências, evitar a revolta e a actividade social e política de quem sofre.
A Voz será sempre uma instituição de qualidade no ensino e na educação; há uma tradição, desde a origem da Voz, quanto às creches, jardins-de-infância e 1º ciclo, este assumido pela Voz do Operário, em certa fase histórica, na cooperação com o ensino público; e é a matriz da Voz na educação e na vida social que temos de continuar a assumir, elevando a quantidade e a qualidade do nosso trabalho, dando maior expressão e visibilidade ao método do Movimento da Escola Moderna, à formação de cidadãos conscientes e interventivos dentro e fora da instituição.
- A ampliação da creche nas instalações da Graça; outros projectos em curso na área da educação e a proposta de um lar e unidade de cuidados continuados são objectivos muito estimáveis, a par de outros projectos que continuaremos a analisar e a acompanhar com o rigor e a exigência necessários e que não devemos descurar;
- A melhoria das instalações, nomeadamente o Salão de Festas, com um elevador e outros equipamentos, o que permitirá avançar para a perspectiva de contratualizações com operadores de espectáculos, por exemplo, mais positivas na rentabilidade financeira e na projecção social e cultural da instituição;
- As actividades de cooperação com instituições sociais, associativas, culturais e desportivas, na realização de iniciativas bem preparadas e publicitadas;
- As questões relacionadas com a comunicação interna e externa, o jornal, o “site”, os custos que deverão levar a um estudo e a medidas adequadas; a necessidade de circulação da informação interna para a direcção e para o jornal;
- A formação dos trabalhadores, a requalificação, a procura de soluções ouvindo e procurando sempre a participação e a iniciativa criadora de quem trabalha na Voz do Operário;
- A exigência quanto ao rigor e qualidade de direcção e gestão financeira;
A consciência, a criar, nos dirigentes, nos trabalhadores e nos associados, de que a Voz do Operário é, também, uma empresa que está colocada perante desafios reais: a perda de capacidade financeira das famílias, com o recurso ao ensino público, e a existência de muitas instituições que disputam o mercado e trabalham nas áreas de educação e de apoio social; a realidade que enfrentamos obriga-nos a assumir mais ainda um exercício de qualidade, de procura de inteligência e de saber na direcção e na gestão da instituição, de elevação e superação que são sempre matérias obrigatórias em quem tem uma atitude positiva e transformadora perante a vida e os problemas.
Se algo caracteriza os trabalhadores conscientes é a exigência de mais elevação, de mais conhecimento na procura de mudanças e da transformação decisiva.
Portanto, a realidade é muito clara entre nós e aponta para o trabalho colectivo, para o respeito mútuo, para a elevação humana e social; nessa qualidade e cooperação, será necessário continuar a enfrentar os problemas, resolver e realizar desafios e projectos que nos são caros e que serão decisivos para o futuro de A Voz do Operário.
E é esse futuro o que interessa. Temos de assegurar uma situação de equilíbrio financeiro de forma consistente e duradoura; temos de resolver questões estruturais que agora analisamos; temos, finalmente, de ser íntegros, respeitadores da história da Voz do Operário e construtores corajosos do seu futuro.
É isso que temos pela frente. E é tudo isso que teremos de fazer, na fraterna ligação com os trabalhadores e os associados, preparando outros, mais novos e mais capazes, para assumirem os destinos e a afirmação desta Sociedade que é o valor maior para o nosso trabalho, para a nossa atitude, para o nosso empenho e dedicação irrecusáveis e a que não voltaremos as costas.
É um programa de acção que realizaremos em colectivo, determinadamente, porque a isso nos obriga o mandato para que nos disponibilizámos e que assumimos.
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