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Início - A Palavra do Presidente - Breve balanço de mandato de 2007-2009

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postheadericon Breve balanço de mandato de 2007-2009

Jornal - A Palavra do Presidente

Principia um novo ciclo de vida em A Voz do Operário. Houve eleições e, no dia 26 de Fevereiro, tomarão posse novos dirigentes, a par de outros eleitos, já com experiência e trabalho realizado.
 Nesse dia, comemoraremos o 127º aniversário de A Voz do Operário, homenageando trabalhadores e realizando um jantar de convívio e festa.
Parece que vai longe o ano de 2007. Quando tomámos posse, a situação da instituição era muito difícil, dos pontos de vista financeiro e estrutural. A atitude do Ministério da Educação, de não assinar contratos de apoio a alunos e famílias com mais dificuldades, desde o ano lectivo de 2002/2003, ajudara a criar um impasse que só foi ultrapassado com a venda de património. As contas caucionadas estavam a zero, a banca não aceitava sequer uma livrança para pagar salários e só com o compromisso de venda de um prédio em Lisboa é que a situação foi desbloqueada.
Nesse mesmo ano, iniciámos a denúncia da situação, combatendo contra o ministério da Educação e ganhando apoios públicos para a resolução do problema. A direcção de A Voz do Operário assumiu esse combate, que teve maior expressão em 2008, a partir da sessão que realizámos nas comemorações do 125º aniversário, em que homenageámos a Fundação Calouste Gulbenkian, lutando e conseguindo que, finalmente, a então ministra da Educação nos recebesse e acabasse por reconhecer que era necessário desbloquear um processo injusto e brutal para A Voz do Operário.
A direcção eleita em 2007 assumiu colectivamente os destinos da instituição, na perspectiva de um trabalho democrático e inovador. Logo que foi possível, passou a ter uma sala de trabalho, que não tinha, e reuniu todas as semanas, criando condições para avançar em projectos como a instalação do elevador para o salão de festas e decidindo coisas tão pequenas como o arranjo das bancadas do espaço de recreio, cheias de arestas e impróprias para uso de crianças e adultos. A substituição de dois velhos contentores, para construção de novas instalações sanitárias, a congregação de apoios para obras importantes no salão de festas, que prosseguiram com a instalação de um sistema de som dignificante, os melhoramentos introduzidos no Pavilhão Multiusos, a renovação do pavilhão desportivo e outras obras já realizadas ou agora em curso, por exemplo em salas de aula, são resultados evidentes de um trabalho colectivo e responsável dos órgãos eleitos, em conjugação com a estrutura dirigente e os trabalhadores de A Voz do Operário.
Em Março do ano passado, foram realizadas reuniões com todos os trabalhadores. Foi uma experiência que só surpreenderia quem estivesse desatento, pela participação e pelas ideias e contributos que recebemos. Esta linha de trabalho, de respeito e de dignificação de quem trabalha na instituição, tem de ser prosseguida, na melhor tradição e história de quem criou A Voz do Operário e a quis sempre livre, democrática, interventiva e criadora, a favor dos interesses dos associados, de quem nela estuda, convive e trabalha e da população de Lisboa.
Neste mandato, a solidariedade com A Voz do Operário foi uma realidade prosseguida e conquistada a pulso, junto de instituições, autarquias e amigos desta sociedade. Realizámos iniciativas prestigiantes como a homenagem a Adriano Correia de Oliveira, o espectáculo no Pavilhão Atlântico, com Carlos do Carmo, e a recente conferência sobre imprensa operária e associativa, comemorando o 130º aniversário do jornal A Voz do Operário, entre outros eventos de qualidade que tiveram a participação de muitos convidados e apoiantes de A Voz do Operário.
O objectivo da campanha de solidariedade, no 125º aniversário, fixado em 500.000,00€, foi ultrapassado. O ministério da Educação passou a cumprir as suas obrigações e já solicitámos uma reunião com a nova ministra, para análise de uma possível resolução do diferendo ainda em tribunal e apresentação detalhada de A Voz do Operário na área da educação.
É necessário preparar as condições adequadas para avançar na renovação da Galeria João Hogan, para a qual recebemos um contributo financeiro estimulante por parte da Fundação Calouste Gulbenkian, que temos de respeitar, cumprindo o que então foi proposto e aprovado na direcção.
A situação financeira que agora transita para os novos órgãos directivos é bem mais estável e positiva do que em 2007. A questão estrutural é preocupante, acumulada ao longo de muitos anos, e exige decisões fortes e determinadas. Os novos projectos, de ampliação da creche e do pré-escolar, da criação de um lar para idosos e acamados, de construção de um parque de estacionamento subterrâneo, são desafios a enfrentar, tal como a construção de um edifício na Rua Alves Torgo, com um projecto já aprovado pela Câmara Municipal, depois de luta acesa e grande insistência pela nossa parte.
Há prioridades a estabelecer, e há medidas necessárias a levar a cabo nos 2º e 3º ciclos, reforçando áreas como a creche, o pré-escolar, o 1º ciclo e o trabalho com idosos e acamados. Frentes e desafios culturais, sociais, desportivos e outros não faltam, para os novos dirigentes eleitos. Ouvir os trabalhadores e fazer respeitar a democracia interna, com associativismo a sério e sem imposições pessoais, decidir colectivamente o essencial, elevar a ética, a exigência e o rigor, ter muita atenção ao cumprimento de orçamentos e às medidas de controlo financeiro, foram e são exigências de um legado que os trabalhadores da indústria tabaqueira e todos os trabalhadores deixaram e esta casa, como exemplo maior na participação alargada, na formação de quadros dirigentes, na descoberta de novas vias de trabalho, de criatividade e de construção de um mundo melhor.
Temos de agir e intervir colectivamente, sempre para melhor, na vida de A Voz do Operário e lá fora, nas lutas dos trabalhadores e das populações, pela dignificação da existência de quem é explorado ou está desempregado, na conquista de direitos à democracia plena, à liberdade, a salários justos, a melhores condições de trabalho e a uma existência mais feliz, interventiva e transformadora.