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INSCRIÇÕES ABERTAS 2012 / 2013

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Jornal - A Palavra do Presidente

Periodicamente temos vindo a dar conta da evolução económica e financeira da Voz do Operário, nomeadamente quanto ao impacto do conjunto de medidas tomadas, as quais foram aprovadas pelos sócios, designadamente no âmbito do plano de actividades e orçamento para 2011.
Com vimos informando, foi possível restabelecer algum equilíbrio da situação económica, tanto pelo reforço da actividade e consequentemente das receitas (onde se destacam a gestão do espaço educativo do Restelo e a cedências de instalações da Voz do Operário para o funcionamento da Escola Marqueses de Távora, incluindo o fornecimento de refeições aos seus alunos), como pela redução de custos (sendo o maior exemplo a suspensão do 3º ciclo, valência fortemente deficitária) e ainda pela melhor utilização dos meios, possível com o aumento da actividade.
Registe-se igualmente o incremento da utilização dos espaços da Voz do Operário e as iniciativas que, efectuadas na base do muito trabalho voluntário, de trabalhadores, sócios e amigos da Voz, permitiram também um bom nível de receitas.
Todavia, a este reequilibrar da situação económica, não correspondeu uma melhoria da nossa tesouraria. Antes pelo contrário. Estamos a ser vítimas do não cumprimento pelas entidades oficiais dos compromissos assumidos, com um crescente atraso dos pagamentos das verbas devidas à Voz do Operário, como contrapartida financeira pelos serviços prestados à comunidade.
Estes sucessivos incumprimentos, colocam-nos numa situação de estrangulamento financeiro, da qual damos conta aos sócios e aos trabalhadores da Instituição.
Com efeito, a Voz do Operário tem neste momento a haver das entidades oficiais mais de 600 mil euros, o que provoca uma situação de rotura de tesouraria. No momento em que se escreve este artigo, já existem atrasos nos pagamentos aos trabalhadores (subsídio de férias) e ainda não se garantiu a liquidação na íntegra do vencimento de Agosto. Temos já em atraso pagamentos à Segurança Social e ao fisco, enquanto as dívidas aos nossos fornecedores começam a ficar com um prazo significativo.
Os compromissos que as entidades oficiais têm para com a Voz do Operário não são nenhum favor, antes pelo contrário, constituem um contributo para a muita e profícua actividade social desenvolvida pela Instituição, acordada com essas mesmas entidades.
Para se ter uma ideia do atraso das dívidas das entidades oficiais, refira-se que o Ministério da Educação ainda não transferiu qualquer verba relativa ao apoio às famílias (que a Voz do Operário adianta substituindo-se ao Estado), nem aos educadores do pré-escolar, referente ao ano lectivo 2010/2011 (que terminou em Junho). Isto sem contar com uma dívida antiga de 180 mil euros  da escola da Graça, a ser dirimida em tribunal, tendo já obtido vencimento em processo idêntico relativo à escola da Ajuda. Por outro lado, a Câmara Municipal de Lisboa, ainda não pagou nenhuma importância pela utilização das nossas instalações pela Escola Marqueses de Távora (desde Agosto de 2010), nem tão pouco nos pagou as refeições (almoço e lanche) que diariamente fornecemos aquelas crianças.
A CML deve-nos igualmente metade da verba acordada para o último trimestre de 2010, relativa ao espaço educativo do Restelo, não nos tendo ainda pago nenhuma importância referente a 2011.
Estamos naturalmente a envidar todos os esforços e a sensibilizar as entidades para esta situação, que para além de profundamente injusta, a não ser rapidamente sanada, põe em causa o futuro da Voz do Operário.
A solidariedade social não pode ser um chavão usado pelas entidades oficiais quando lhes é conveniente, para depois deixar de cumprir os compromissos assumidos com as instituições que, como nós, estão no terreno a praticar a efectiva solidariedade social.
À Voz do Operário não cabem quaisquer responsabilidades pela situação das contas públicas que resulta das políticas levadas a cabo ao longo das últimas décadas. Bastaria uma parte do que foi esbanjado no BPN e as IPSS estariam hoje em muito melhores condições de prestar o necessário apoio à população.
O que veementemente reclamamos é o cumprimento pelas entidades oficiais dos compromissos assumidos, sem o qual ficará prejudicada a sustentabilidade da Voz do Operário.