A Palavra do Presidente
Relacionamento com a CM Lisboa
| Jornal - A Palavra do Presidente |
A Voz do Operário, instituição fundada há mais de 128 anos, tem uma história recheada de sucessos em prol da educação e da cultura, do apoio social, do movimento associativo e do desporto, pugnando pela dignificação e elevação dos trabalhadores e dos seus associados. Com o surgimento do poder local democrático, uma importante conquista da revolução de Abril, manteve um relacionamento estreito com as autarquias onde desenvolve as suas actividades, realçando-se neste contexto a Câmara Municipal de Lisboa, que sempre apoiou e reconheceu a importância da Voz do Operário na actividade desenvolvida em prol da população de Lisboa.
O relacionamento com a CML sempre foi estreito, pautado pelo mútuo respeito e pela total independência da VO, independentemente das forças políticas que dirigiram o município.
Salientamos a par de outros apoios no âmbito das actividades correntes, o imprescindível apoio para as obras de construção do elevador e acessos ao nosso salão.
A VO sempre reconheceu publicamente estes apoios do município onde desenvolve o fundamental da sua actividade, os quais são muito importantes para a manutenção das actuais valências de apoio à comunidade.
Foi por isso com enorme estupefacção que, em finais de Julho, recebemos do pelouro da educação da CML a proposta de contrapartidas financeiras para o funcionamento nas nossas instalações da Escola Marqueses de Távora.
Desde logo, por ter sido posto em causa o acordo estabelecido com os serviços de educação da CML, em que os valores seriam iguais aos praticados em anos anteriores entre a CML e a VO para outras escolas que igualmente utilizaram as nossas instalações. Na realidade, trata-se de valores mais vantajosos para a CML, porque não se procedeu à correcção da inflação.
Acontece que só após várias diligências nossas para o recebimento das verbas em atraso, e quando já havia terminado o ano lectivo, veio a CML apresentar-nos uma proposta que consubstanciava uma clara redução dos valores previamente acordados e contemplava um prazo de pagamentos totalmente incomportável para a VO. No caso das refeições (almoço e lanche) que fornecemos às suas crianças, propunham-se pagá-los repartindo 50% em cada um dos próximos dois anos. Ou seja, como tivemos de suportar todos os custos, significava que a VO (e os seus trabalhadores, por via dos salários em atraso), financiavam a CML ainda por mais tempo.
Por outro lado, a proposta da CML contemplava valores ainda mais baixos para os próximos dois anos lectivos, nomeadamente para o fornecimento de refeições, os quais a serem aceites, implicariam avultados prejuízos.
Apresentamos uma contraproposta, logo no dia 4 de Agosto, onde para além de elencar todas as nossas diligências relativas a este assunto, justificamos detalhadamente todos os valores, de acordo com os custos suportados.
Foi por isso que, com ainda com maior estupefacção ficamos ao receber da CML a comunicação, já em 6 de Setembro, de que, apesar de a nossa contraproposta contemplar valores razoáveis e integralmente justificados, decidiu não continuar a utilizar as nossas instalações, o que, para além de outros prejuízos, nos impossibilitou o planeamento atempado para a utilização daquelas salas para outras actividades.
Como tornámos publico, não foi por falta de resposta atempada por parte da VO que a CML decidiu retirar as crianças da Escola Marqueses de Távora das nossas instalações. De facto a nossa contraproposta foi enviada apenas passados uns dias do recebimento da proposta da CML.
Paralelamente, refira-se que estão em vigor uma série de outros protocolos com a CML, e que da nossa parte tudo faremos para aprofundar este relacionamento, sem com isso deixar de afirmar a nossa autonomia e independência nem abdicar de defender o ideal que está na génese da Voz do Operário e sempre foi sua bandeira.
No momento em que escrevo estas linhas, a CML ainda só liquidou uma ínfima parte do que nos deve, havendo todavia a promessa de efectuar outros pagamentos nos próximos dias. Contamos que assim seja e nessa medida procederemos à regularização das nossas responsabilidades.
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