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Jornal - Cultura
 

São pequenos textos, poemas, histórias que João Silva foi escrevendo ao longo da vida e que o Departamento de Cultura e Tempos Livres da CGTP-IN reuniu e editou em livro, prestando assim “uma justa homenagem” ao autor que também foi reporter fotográfico da Confederação.

Sem ser biográfico, “Rocha Chenaider” - o porquê do título é explicado na obra – percorre a vida de João Silva, desfiando algumas memórias e momentos desse percurso que começou no dia 7 de Abril de 1916, com o nascimento no bairro popular lisboeta de Alfama.

Com apenas 12 anos, João Silva começou a trabalhar como escriturário, profissão que abandonou aos 17 anos para se dedicar a uma das suas grandes paixões, o cinema, onde se manteve até ao 49 anos de idade.

Atrás das câmaras João Silva teve várias funções, chegando a ser assistente de realização no filme Perdido em África do italiano Etor Scola. O seu nome consta da ficha técnica de películas como Canção de Lisboa, Bocage, Aldeia da Roupa Branca, Pai Tirano, Leão da Estrela, Pátio das Cantigas, A Morgadinha dos Canaviais, Camões, Fado, Kill or be killed (filme americano) e Cantiga da Rua, entre muitos outros.

Em 1950, João Silva parte para Angola onde se dedica ao cinema documentário e depois da independência do país é convidado pela Televisão da República Popular de Angola para chefiar os seus serviços de cinema, tarefa que aceita até ao momento em que decide voltar para trás das câmaras. Em 1979, volta para Portugal e torna-se reporter fotográfico no departamento de informação da CGTP-IN.

É deste percurso de vida que o autor recolhe textos e pequenas histórias que incluem ainda as suas penas por ousar desafiar o regime fascista; dois anos de degredo nos Açores por ter participado na Revolta de 18 de Janeiro de 1934 e um período de prisão mais curto por ter filmado a manifestação de democratas realizada por ocasião do funeral de Bento de Jesus Caraça.