Todos os dias somos confrontados com notícias, informações e opiniões que pretendam condicionar a nossa acção e levar-nos a aceitar como inevitável a degradação das condições de vida da generalidade das populações. Sou dos que se continuam a indignar com este estado de coisa e a procurar, no dia-a-dia, agir para que soluções potenciadoras do aproveitamento integral das nossas riquezas sejam encontradas.
É nesta perspectiva que me coloco quando abordo as questões relacionadas com o desenvolvimento económico da nossa Área Metropolitana de Lisboa (AML).
Somos a principal região do país, para além de aqui residirem cerca de 3 milhões de habitantes (1/4 da população portuguesa), a nível económico concentra 25% da população activa, 30% das empresas nacionais, 33% do emprego e contribui com mais de 36% para o PIB Nacional.
A AML é uma região onde ganham relevo pólos de desenvolvimento económico, o incremento de indústrias competitivas, o crescimento de um terciário especializado, a modernização dos seus dois portos, as plataformas logísticas, a projecção do novo aeroporto internacional em Alcochete, a ligação à rede europeia de alta velocidade e a contínua vontade de organizar eventos internacionais, plenos de inovação e criatividade.
Tem a AML, em si, um papel determinante a desempenhar enquanto motor do desenvolvimento de Portugal e que por todos deve ser reconhecido.
Para que a AML possa continuar a desempenhar esse papel é indispensável que as desigualdades e os desequilíbrios entre a margem Norte e a Sul, a nível de infra-estruturas, desenvolvimento económico, problemas sociais e as questões do turismo, que ainda estão longe de estar completamente exploradas na margem Sul, sejam ultrapassadas, pois constituem obstáculos ao assumir efectivo pela AML do grande papel de motor de economia portuguesa e a torná-la competitiva com outras grandes regiões da União Europeia.
É na península de Setúbal, como parte integrante da AML, que estão reunidas as condições que possibilitam a transformação desta, num actor da produção de riqueza e para que tal aconteça, e se anulem os constrangimentos existentes na mobilidade de pessoas e bens, é necessário e imprescindível a construção de uma nova travessia do Tejo no corredor central com as valências, rodoviárias, ferroviárias tradicional e de alta velocidade.
Todos reconhecem a necessidade de se concluir o anel ferroviário da AML, que não é possível concretizar através da Ponte 25 de Abril, ou a tomada de decisões para que milhares de cidadãos não levem mais de hora e meia para percorrer 20 km e sem que isso signifique a entrada na cidade de Lisboa de muitos mais veículos pois o que vai acontecer é a entrada dos mesmos mas por locais diversos.
A construção desta travessia é uma exigência que as autarquias do distrito de Setúbal, as forças sociais e os partidos políticos vêm colocando como uma inevitabilidade há mais de 20 anos. Só por razões “estranhas” ao desenvolvimento económico do país, não foi já concretizada. Consta à muito de vários planos de desenvolvimento, PROT-AML e PEDESP entre outros, esperemos que as tais razões “estranhas” não se sobreponham à racionalidade económica e ambiental para que um contributo seja dado no sentido de a crise e o défice do Orçamento de Estado sejam combatidos pela criação de riqueza e não pelo contínuo degradar dos salários, pensões e desrespeito pelos direitos de quem trabalha.