A situação social no distrito de Setúbal está a degradar-se. O mais recente anúncio de encerramento de uma empresa, a Lear, pode ditar o despedimento de mais de duas centenas de trabalhadores. Nos primeiros nove meses de 2009, por dia, cerca de 31 pessoas perderam o seu posto de trabalho. A taxa de desemprego no distrito situa-se nos 11,25 por cento, quase mais um ponto percentual que a média nacional.
Em Dezembro de 2008, estavam inscritos nos centros de emprego do distrito de Setúbal 32.784 desempregados; em Setembro de 2009 aquele número subiu para 41.056. Dito de outra forma, nos primeiros nove meses do ano passado, por dia, cerca de 31 pessoas ficaram sem emprego. Ao desemprego acresce a precariedade que, segundo a União de Sindicatos de Setúbal, reveste já contornos muito preocupantes na região, com a maioria dos empregos que se vão criando a serem a prazo e a recibo verde, penalizando sobretudo os jovens. Dados recentes apontam para que em cada sete contratos de trabalho seis sejam precários.
O desemprego no distrito, com uma taxa de 11, 25 por cento no final de Setembro do ano passado, tem como principal causa o encerramento de diversas empresas. Outras intenções estão também anunciadas como a Pioneer que quer deslocalizar a sua produção, enviando para o desemprego mais 127 trabalhadores, e a Visteon que, no dizer da USS, pretende fazer um despedimento colectivo para poder contratar “trabalhadores temporários” para fazer face ao aumento da produção. Tudo isto, acusam os sindicatos, perante a total passividade do Ministério da Economia.
Entretanto, a Lear, empresa de componentes para automóveis localizada no concelho de Palmela, também anunciou o seu encerramento no início deste ano. A verificar-se o encerramento, esta empresa que recebeu fundos comunitários e do Estado português para se instalar no País, lançará no desemprego mais de duas centenas de trabalhadores.
Para a USS, a degradação da situação social no distrito é consequência das políticas levadas a cabo pelo actual Governo e recorda a situação vivida na década de 80 em que para fazer face aos problemas sociais que se verificaram após o enceramento de grandes empresas como a Setenave, Lisnave e Quimigal foi necessário elaborar de um Plano de Intervenção na Península de Setúbal.