Cerca de 25 por cento dos 3,3 milhões de utentes inscritos nos centros de saúde dos 18 concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML) não têm médico de família e a situação poderá vir a agravar-se com a reforma de alguns clínicos.
Os dados são da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e motivaram já um pedido de esclarecimento do Grupo Parlamentar do Partido Ecologista “Os Verdes” ao Ministério da Saúde no sentido de saber que medidas pondera aquele desenvolver com vista a assegurar os médicos de família necessários na região e em que prazos essas medidas serão concretizadas.
No final de Fevereiro, 765.375 utentes inscritos nos 54 centros de saúde da AML estavam sem médico de família, o que corresponde a 24,5 por cento do 3,299 milhões de inscritos na região mais populosa do País. Segundo os dados da ARSLVT, o Centro de Saúde de Santo Condestável, em Lisboa, é o mais atingido com mais de 56 por cento dos seus utentes inscritos a não terem médico de família.
Os concelhos da margem sul do Tejo são os mais afectados por esta situação, com o do Montijo a liderar a lista de utentes sem médico de família (34,6 por cento), seguido do de Setúbal (32,6 por cento) e da Moita (29,4 por cento). Na margem norte, os concelhos com pior ranking são o de Odivelas (cerca de 30 por cento dos inscritos sem médico de família) e o da Amadora (28,3 por cento). Em melhor situação na AML estão Oeiras (cerca de 15 por cento sem médico de família) e o Barreiro (cerca de 17 por cento).
Segundo a ARSLVT, o principal problema é a falta de clínicos e, até 2013, é provável que se verifique um agravamento do mesmo dado que alguns dos que fazem serviço nos centros de saúde da AML reforma-se-ão entretanto, sem que se perspective a existência de outros para os subsituir. Só dentro de três anos, a situação tenderá a normalizar-se.
A falta de médicos de família e de condições de muitos centros de saúde levou o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), a União de Sindicatos de Lisboa e as Comissões de Base de Saúde a realizarem uma acção de protesto, no dia 7 de Abril (Dia Mundial da Saúde), junto do Ministério da Saúde.
De entre as reivindicações apresentadas destaca-se a construção de hospitais integrados no Serviço Nacional de Saúde nos concelhos de Loures, Sintra e Vila Franca de Xira e a construção de novos centros de saúde na Falagueira e São Brás (concelho da Amadora), em Carcavelos (concelho de Cascais), em Odivelas, em Carnaxide, Caxias, Porto Salvo, Queijas e Barcarena (concelho de Oeiras), em Queluz, Belas, Agualva, Tapada das Mercês, Abrunheira, Sintra e Almargem do Bispo (concelho de Sintra) e em Alhandra e Sobralinho (concelho de Vila Franca de Xira).