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Início - Área Metropolitana de Lisboa - Um crime a mais em Lisboa

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Jornal - Área Metropolitana de Lisboa

O Hospital Miguel Bombarda, o primeiro hospital psiquiátrico digno desse nome em Lisboa, foi fundado com o nome de Hospital Rilhafoles, em 1848, aproveitando as instalações do convento oitocentista dos Padres de S. Vicente de Paulo.
Totalmente dedicado aos cuidados médicos psiquiátricos, deve o seu nome ao Médico e Psiquiatra Republicano, Miguel Augusto Bombarda assassinado no seu gabinete no interior do edifício principal em vésperas de 5 de Outubro, podendo ver-se uma lápide evocativa desse acontecimento ao subir as escadas imediatamente à entrada.
Rico em existências artísticas, ligadas à arte decorativa, pode encontrar-se no seu interior desde azulejos do século XVIII, até magníficos trabalhos de baixo-relevo em estuque, de que se destaca o intrincado desenho de motivos maçónicos naquele que em tempos já foi uma das salas do laboratório deste hospital.
O Hospital Miguel Bombarda, que guarda ainda existências arquitectónicas ímpares, como o Balneário D. Maria II ou o Pavilhão de Segurança, recentemente classificados, conta ainda com um acervo patrimonial que integra não só obras de arte produzidas por antigos internos, que constituem hoje o Museu de Arte Outsider, e o arquivo documentando a existência e evolução de métodos de tratamento, mesmo anteriores à própria fundação do Hospital.
O recente encerramento do Museu, a evocação de umas poucas e débeis medidas de preservação chocam com a apressada actividade da ESTAMO (empresa ao qual o imóvel foi vendido) em embalar e enviar de qualquer forma o arquivo para o Hospital Júlio de Matos.
A localização, a história, o património e os vários acervos deste conjunto de edifícios mereceriam da parte do Estado e do Município de Lisboa, um respeito e atenção que permitisse encontrar um destino com a dignidade apropriada em lugar de servirem como mais um espaço de especulação para imobiliárias e banca.
A venda deste legado cultural pelo Estado, abriu caminho à sua destruição, em que os projectos já conhecidos mostram o quão longe fica a sua preservação. A sua classificação como conjunto de interesse público e respectiva área de protecção, ou as disposições do actual PDM, são sem dúvida passos importantes na sua salvaguarda. Mas os desejos já expressos e o que se conhece do projecto de PDM do actual executivo camarário, nada auguram de bom, mostrando que a cultura e o conhecimento andam bem arredados das políticas de cidade do actual executivo.