
Passes sociais aumentam mais de 9%
| Jornal - Área Metropolitana de Lisboa |
Os passes sociais para os residentes na Área Metropolitana de Lisboa estão mais caros, com aumentos cuja média é superior a nove por cento (9,3 por cento). No caso de estudantes e terceira idade os novos preços sofreram um acréscimo que varia dos 55 aos 82 por cento. Os utentes contestam os aumentos e os trabalhadores das empresas de transportes públicos fazem greve acusando o Governo de estar a preparar a privatização do setor e, consequentemente, despedimentos.
Embora a comuniação social subserviente propagueie o discurso do Governo e insista em que os aumentos no tarifário dos transportes foram de cinco por cento – mesmo assim quase dois pontos acima do valor da inflação prevista – as contas revelam que eles foram superiores e que o Governo falta à verdade. O passe da Carris sofreu um acréscimo de 5,45 por cento e o passe do Metro teve uma subida de 21,34 por cento. Abaixo dos cinco por cento ficou apenas o passe combinado para a Carris e Metro que sofreu um agravamento de 3,4 por cento. Mais alguns exemplos: o passe do Metro (rede 30 dias) teve uma subida de 9,38 por cento e o do Metro (urbano 30 dias) de 21,34 por cento. Quanto a outros combinados, o Metro/RL1 passou de 36,3 para 43,6 euros o que corresponde a um acréscimo de 21,1 pontos percentuais e o Metro/TT/Cacilhas a 30 dias viu o seu preço passar de 29,9 para 34,40 euros, ou seja, mais 28,43 por cento.
A subida do preço dos passes e bilhetes do dia 1 de fevereiro deste ano é a terceira no espaço de 13 meses- janeiro de 2011 aumento de 4,5 por cento e agosto de 2011 aumento de 15 por cento, o que perfaz um total de aumentos de mais de 26 por cento - e fez com que os transportes públicos na região de Lisboa ficassem muito mais caros que os de outras capitais europeias, onde o nível de vida é muito superior ao dos portugueses. Mas como se não bastasse, os grupos que apresentam níveis mais elevados de risco de pobreza – idosos e crianças – viram os seus títulos aumentados em valores brutais. No caso do passe para a terceira idade os acréscimos chegam aos 55 por cento e no dos estudantes há alguns títulos que registam uma subida de 82 por cento. Isto porque o Governo deixou cair a comparticipação de 50 por cento nestes passes, passando a comparticipar em apenas 25 por cento.
O Movimento dos Utentes de Serviços Públicos (MUSP) classificou os aumentos como “um roubo ao povo” que tem por objetivo a privatização das empresas públicas de transportes públicos. “São medidas meramente economicistas, exigidos pelos grandes grupos económicos que apontam no sentido da privatização das empresas de transportes públicos e que irá pôr centenas, senão mesmo, mais de um milhar de postos de trabalho em causa”, disse à agência Lusa o porta-voz do MUSP, Carlos Braga.
“Rejeitamos liminarmente os aumentos e as medidas que o Governo, através de um grupo por si constituído, decidiu aplicar na circulação dos transportes, reduzindo a sua oferta”, sublinhou o porta-voz do MUSP, acrescentando que o “encerramento de linhas férreas, a supressão de carreiras, o encurtamento e a alteração dos percursos não são medidas alternativas que se considerem como válidas para que as pessoas procurem cada vez mais os transportes coletivos de passgeiros”.
JML dá parecer positivo
Entretanto, a Junta Metropolitana de Lisboa (JML) deu um parecer positivo às alterações nos transportes que o Governo quer implementar na região de Lisboa – supressão de carreiras e encurtamento de percursos. O órgão metropolitano justifica a sua decisão com “a alteração profunda” que o documento inicial apresentado pela Secretaria de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações sofreu.
Em declarações à agência Lusa, Carlos Humberto, presidente da JML, afirmou que o documento ainda apresenta aspetos pontuais que não têm o “acordo global” da JML por ainda “serem penalizadores”.
A decisão da JML foi tomada por unanimidade por considerar que “reflete na generalidade um esforço de responder às preocupações e críticas manifestadas pelas autarquias da Área Metropolitana de Lisboa”.
No parecer que emitiu, a JML considera que “a abordagem ao necessário aumento de rentabilidade económica e social do Sistema de Transportes Metropolitano se deve realizar sobretudo pela via do aumento da procura e da eficiência dos serviços” e não pela redução da oferta, de modo a “não pôr em causa o próprio serviço”.
Recorde-se que por pressão dos utentes e das autarquias, o Governo recuou na proposta inicial que incluia a supressão ou alteração de percursos com vista ao seu encurtamento de mais de 50 carreiras da Carris, o encerramento do Metroplitano de Lisboa às 23 horas e a supressão de algumas carreiras fluviais de travessia do Tejo. Porém, os utentes, nomeadamente da Carris, marcaram para o dia 31 de janeiro um protesto em vários pontos da cidade contra o fim de algumas carreiras, entre as quais, o elétrico 18.
Aos protestos do utentes juntaram-se os dos trabalhadores que no dia 1 de feveriero cumpriram uma greve de 24 horas em defesa do serviço público de transportes.
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