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É preciso agir, é preciso lutar
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A ideologia das privatizações foi introduzida no Reino Unido a partir da eleição do Governo Conservador chefiado por Margaret Thatcher em 1979. Apesar do programa falar apenas em devolver ao sector privado as duas indústrias nacionalizadas pelo governo trabalhista (British Aerospace e British Shipbuilders), a “Dama de Ferro” confessa claramente nas suas memórias (Thatcher 1993, p676) que para ela a privatização foi “...um dos principais meios de inverter os efeitos corrosivos e corruptíveis do socialismo...”. O governo de Thatcher introduziu um regime de impostos mais baixos mas não conseguiu ou não quis cortar dramaticamente a despesa pública e as receitas anuais das privatizações ajudaram a tapar parte da diferença.
Tem havido muitos estudos sobre os efeitos da privatização, mas tem sido difícil separar os efeitos de propriedade, concorrência, regulamentação e avanços tecnológicos sobre a eficiência económica. Por isso continua a não haver qualquer prova de que seja a privatização a trazer esse benefício. Efectivamente, muitos estudos concluíram que a transferência de propriedade não teve qualquer efeito sobre o rendimento económico e que os êxitos nas áreas de serviços públicos e telecomunicações foram devidos não à privatização mas aos outros factores.
Após as privatizações os administradores (geralmente mantendo os seus lugares) tiveram o máximo proveito com grandes aumentos de vencimento e ainda opções de acções e bónus relacionados com os lucros conseguidos. Ao mesmo tempo surgiram os despedimentos, a diminuição do poder dos sindicatos e as alterações aos contratos colectivos de trabalho. Certo é que isto não conduziu a uma redução nos vencimentos médios nas empresas privadas, mas os diferenciais ficaram cada vez mais alargados. Os serviços públicos prestados pelo sector privado resultam sempre mais caros porque o sector tem de pagar dividendos aos seus accionistas. Os custos de empréstimos são também mais elevados já que os mercados financeiros consideram que o sector privado representa um mais alto risco do que o sector público apoiado pelo Estado. Contudo, o maior problema é que a motivação das empresas privadas é o lucro e não a satisfação das necessidades das pessoas que servem e isso automaticamente conduz a serviços degradados prestados a preços mais elevados.
O actual governo britânico prepara-se para publicar em Outubro uma proposta para que todos os serviços públicos sejam sujeitos a privatização (ou seja aqueles que restam após a desenfreada vaga anterior de privatizações). Isto representa um ataque dantes inconcebível ao “welfare state” tão querido de todos os britânicos e a inveja de tantos outros países. Há longos anos que o serviço nacional de saúde e a educação gratuita têm sido as vacas sagradas intocáveis para quase toda a população. Qual será o resultado se as “reformas” forem para a frente? É já conhecido o resultado desastroso da privatização do sector de lares para idosos com o provável colapso de Southern Cross, a entidade privada que é responsável pelo bem estar de pelo menos 31 mil pessoas idosas e vulneráveis. A Quality Care Commission (QCC) já se viu obrigada a fechar lares de Southern Cross para “proteger a segurança e bem estar dos residentes”, já que o regulador “considerava que as pessoas residentes nos lares estavam em risco” (Comunicado à Imprensa da QCC de 20 de Janeiro de 2011). Já em 2006 o grupo particular Blackstone, chefiado pelo bilionário Stephen Schwarzman, recebeu quase 500 milhões de libras quando vendeu os seus interesses em Southern Cross. Esta verba representa três vezes o seu investimento inicial de 162 milhões de libras.
A alargada degradação dos cuidados sociais a idosos residentes e não residentes indica o caminho que espera os mais vulneráveis noutros sectores - condições de privação inaceitáveis para deficientes e as suas famílias; tratamentos mínimos para os doentes (qual é o lucro da medicina preventiva?) e a educação “à Americana” com toda a lavagem de cérebros que a acompanha.
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