Get Adobe Flash player

130 anos.png

130 anos

Início - Destaque - "Aqui somos mais livres e podemos pensar"

postheadericon "Aqui somos mais livres e podemos pensar"

Jornal - Destaque

Chegou o momento da partida. Os alunos que terminaram o 6.º ano dizem adeus à escola A Voz do Operário. Há quem nunca tenha conhecido outra escola. Alguns vieram para A Voz com apenas quatro ou cinco meses de vida. Há um sentimento generalizado de tristeza e as saudades já se fazem notar. Porém, também existe uma forte expetativa em relação ao futuro e a convicção de que d'A Voz levam uma experiência que lhes vai ser “muito importante” na nova etapa que vão iniciar. A todos eles os votos de muitos sucessos e a certeza de que n'A Voz haverá sempre abraços disponíveis.

“...Ainda que tenham imensos alunos, todos os funcionários conhecem a minha filha pelo nome; após dois dias de lá ter chegado (em março), os funcionários da portaria, sem lhes perguntar, deram-me o feed-back - “esteve bem como se sempre estivesse aqui”. Hoje, como sempre, fiquei a ver como entra “pela porta do lado”; ao chegar um pouco atrasada, não foi brincar no recreio e foi a correr para as escadas que a levam à sala; encontrou a cozinheira ou alguém da cantina, esta abraçou-a, falou com ela e deu-lhe beijinhos. Nestes quatro meses viu cinema e exposições para além da aprendizagem regular. Tem um conceito de justiça reforçado, bem como, um sentido de crítica em relação a quem se porta mal bastante apurado. Relata-me que é ouvida, de forma disciplinada, escrevendo no livro e que isso é tido em conta. Sempre que se magoa, relata sempre que alguém a assistiu, a ouviu e cuidou dela”.
Odete Almeida, mãe de aluna de A Voz do Operário

As escolas de A Voz do Operário são únicas. Não é um exagero dizê-lo e não é só por nelas se aplicar um método de ensino – Método da Escola Moderna (MEM) – que privilegia a formação integral dos alunos, que respeita as diferenças, que promove o gosto pelo conhecimento e pela descoberta, que prepara cidadãos intervenientes, que incrementa a partilha e a cooperação e que baseia a educação na liberdade/responsabilidade, na solidariedade, na vivência democrática. É também porque, nas escolas de A Voz, os alunos são: “os nossos meninos e meninas”. E eles sabem. Por isso, se há dificuldade em apertar os atacadores ou o botão das calças, se algo se perde, se alguma coisa preocupa, o primeiro adulto que se encontra é convocado para ajudar. “Nos momentos mais difíceis, todos ajudaram e todos apoiaram. Foi muito bom”. As palavras são da Ana Carolina, de 11 anos, que frequentou o 2.º ciclo e que, “com muita pena”, terá de deixar A Voz.
Os alunos que terminaram o 2.º ciclo destacam o papel do corpo docente. É natural. Foi com os educadores e os professores que fizeram quase todas as aprendizagens. Mas tal facto resulta igualmente dos docentes se assumirem como “pessoas que ajudam”, como confidentes, como amigos. “O primeiro ciclo parecia mais a brincar. O 2.º ciclo foi muito mais difícil e foi muito importante a ajuda dos professores”, relata o André, de 11 anos.
“Os professores explicam a matéria de maneira adequada a que nós possamos perceber melhor as coisas”, diz Laura, de 11 anos, secundada pelo Bruno, de 12 anos e que entrou n'A Voz “a meio do 1.º ano”: “a forma como os professores dão a matéria e as aulas, a forma como esta escola com quase 130 anos está cuidada e os amigos que aqui fiz, foram muito importantes para conseguir o que consegui”.
“Aqui aprendemos a trabalhar em grupo e em projetos, isso é importante, acho eu”, refere a Sara, de 11 anos, e que chegou à Voz há 11 anos para frequentar a creche, tal como o Pedro N. que considera que vai “ser muito difícil mudar” de escola. “Até porque aqui os professores dão-nos muita atenção e ajudam-nos muito. Do que sei, nas outras escolas não é assim”.
“Aqui podemos dar a nossa opinião, nas outras escolas se calhar não”, diz Solange que há 11 anos está n'A Voz do Operário. E o Luís (12 anos) que apenas frequentou n'A Voz o 2. ciclo remata: “nesta escola somos mais livres e podemos pensar”.

“Com o MEM é mais fácil”

Junho. As aulas ainda não terminaram, porém, nos corredores não há correrias, nem algazarra porque os meninos e as meninas foram “acantonar-se”. Os acantonamentos são períodos de três ou mais dias em que alunos, professores e alguns auxiliares se ausentam da escola para um local específico. No entanto, não se pense que os acantonamentos são sinónimo de férias. É certo que há momentos de lazer e diversão, mas também servem para aprender, uma vez que, nas escolas de A Voz do Operário, a aprendizagem não se circunscreve à sala de aula. Esta é, aliás, uma das vertentes do MEM que permite aos alunos novas experiências e novos conhecimentos. Daí que, no regresso dos acantonamentos, sejam realizados trabalhos sobre o que se observou e aprendeu.
“Na Voz do Operário acreditamos num ensino ativo e estimulante, capaz de envolver os alunos nas tarefas e nos processos de construção do conhecimento, suficientemente atrativo para despertar nestes o gosto pelo saber e pelo aprender. Acreditamos que os alunos devem ser ouvidos e devem ser participantes no seu próprio processo de aprendizagem, a escola deve ser, acima de tudo, um local onde as crianças gostam de estar e são felizes”.
“Somos defensores do conceito de Escola Inclusiva, ou seja, a escola que recebe e integra com sucesso todos os meninos, independentemente das suas facilidades ou dificuldades. Nas nossas salas de aula procuramos diariamente que todos os alunos se sintam incluídos e motivados e tenham as condições que precisam, para poder evoluir e progredir nas suas aprendizagens, seja o seu ritmo de evolução mais rápido ou menos rápido que o do resto do grupo. Esperamos o melhor que cada um sabe e pode fazer, tendo as condições necessárias para que, sendo a pessoa que é, possa ser o melhor possível”.
Estes são os princípios pedagógicos que norteiam as escolas de A Voz do Operário, baseados no MEM e nos muitos anos de experiência educativa da Instituição.
Para os alunos, nomeadamente os que conheceram outras práticas pedagógicas, o ensino ministrado n'A Voz facilita a aprendizagem. Ana Carolina, que apenas frequentou o 2.º ciclo, não tem dúvidas em afirmar: “Este método parece-me muito melhor porque podemos dar a nossa opinião”. Já o André considera que “este método é bom e ajuda a ultrapassar as dificuldades”.
O facto de serem desenvolvidas atividades diversificadas é destacado. “Isso permite-nos compreender melhor as matérias”, assinala o Mário, de 12 anos e que apenas frequentou n'A Voz o 2.º ciclo, enquanto que a Carolina (12 anos), que também só frequentou o 2.º ciclo, é da opinião que o método de ensino d'A Voz faz com que “se esteja mais atento”. O Miguel, de 12 anos, veio para A Voz fazer o 5.º e o 6.º ano e reconhece que sentiu “diferença entre esta escola e a anterior. A Voz do Operário é melhor”.
Por sua vez, a Elisabete (14 anos) admite que com o MEM “é mais fácil”. “Estive três anos aqui e esta escola é muito melhor que a anterior. Não há confusão e podemos participar nas aulas, o que para mim foi muito importante”.

“Experiência vai ser útil”

“Nunca conheci outra escola e sei que vai ser tudo diferente, mas a experiência d'A Voz do Operário vai ser muito útil”, diz a Marta, de 11 anos, e que está n'A Voz desde o pré-escolar. Esta é a opinião da generalidade dos alunos que vão para outros estabelecimentos de ensino. Todos têm consciência de que o aqui aprenderam, e não apenas na sala de aula, lhes vai servir no futuro. “Esta experiência foi muito importante. Com o que aprendi n'A Voz vou poder ajudar as outras pessoas”, afirma o André.
A expetativa relativamente ao próximo ano letivo, noutro estabelecimento de ensino, entre os alunos que concluíram o 2.º ciclo é grande, porém, há a convicção geral que os anos passados numa escola de características únicas vão facilitar a integração e a resolução dos problemas e dificuldades que surjam.
“Tudo o que aprendi aqui vai ser muito importante. Se calhar, na outra escola, os professores não explicam tão bem e não haverá tanta amizade... Por isso, a experiência d'A Voz vai ajudar-me”, remata o Miguel.

Tristeza e saudades

Para os alunos que concluíram o 2.º ciclo é hora de dizer adeus à escola de A Voz do Operário. Para uns é mais difícil do que para outros, embora a tristeza seja o denominador comum. Por outro lado, as saudades já se fazem sentir.

“Sinto-me mal porque me vou separar de alguns colegas. Vou ter saudades” - Ana Carolina.
“Sinto-me triste. Há aqui amigos que conheço desde o 1.º ano e que talvez nunca mais veja” - André.
“Vou continuar a ser o mesmo. Claro que vou sentir a falta dos amigos” - Mário.
“Sinto-me muito mal, vou perder os meus melhores amigos, o que é muito mau” - Carolina.
“Estou triste. Conheço pessoas que andam comigo desde a creche e não queria separar-me delas” - Laura
“Sinto-me feliz porque vou para uma escola de que vou gostar e triste porque vou perder alguns dos meus amigos” - Bruno
“Há amigos que já não vou ver mais” - David
“Conheço pessoas desde a creche. Vou ficar triste” - Sara
“Vai ser difícil mudar porque nunca saí daqui” - Pedro N.
“Sinto-me triste e vou sentir muitas saudades desta escola” - Elisabete
“Vou ficar triste” - Pedro A.
“Estou triste” - Marta
“Vou ter saudades” - Miguel
“Sinto-me triste” - Solange
“Vou sentir saudades da escola, mas a maioria dos meus amigos vai para a mesma escola que eu e com os outros posso sempre falar no facebook” - Luís
“Sinto tristeza” - Samuel. Quer dizer mais qualquer coisa, mas a voz fica embargada e o Samuel encolhe os ombros e luta para suster as lágrimas.
Chegou o momento da partida, mas é importante reafirmar: as portas de A Voz do Operário estão sempre abertas. Venham as vezes que quiserem!

Ana Goulart

 
Ler jornal online

jornal.jpg

 

VISITE AS PÁGINAS DE FACEBOOK DAS NOSSAS ESCOLAS

 

facebookvoz