Editorial

2009

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Jornal - Editorial

Agora que o ano de 2008 terminou e já se iniciou o ano de 2009 importa reflectir sobre as suas perspectivas com o objectivo de dar resposta à novas oportunidades e enfrentar os desafios / dificuldades, por forma a antecipar e minimizar o seu impacto.
E 2009 não se avizinha como um ano fácil. Os economistas apontam para que estejamos a passar a maior crise financeira internacional dos últimos cerca de 70 anos e, maioritariamente, referem que o novo ano trará consequências mais danosas que 2008, nomeadamente, no que respeita à capacidade de crescimento económico dos países e de Portugal em concreto.
Com efeito, juntar-se-ão as consequências e pretextos de uma crise económica há crise social já existente.
E não obstante as previsões contempladas no Orçamento de Estado, apelidadas como "irrealistas" por todos os partidos da oposição, os desafios / dificuldades são inequívocos e também eles se encontram reflectidos nas medidas que o governo PS sozinho, propôs e aprovou, para o Orçamento de Estado (OE) de 2009, senão vejamos:
- O OE prevê uma redução das verbas para o Subsídio de Desemprego;
- Com base nas já referidas previsões "irrealistas" no que respeita à inflação o referencial proposto tem subjacente a desvalorização dos salários;
-  Os impostos indirectos como o IVA voltam a crescer;
- O novo Código do Trabalho continua a retirar direitos aos trabalhadores, nomeadamente no que respeita ao alargamento do horário de trabalho ou à dificuldade de conciliação da vida pessoal e profissional, entre outros.
Não fosse suficiente a conjuntura internacional, também estas medidas fazem prever que a suposta saída da crise financeira, poderá não representar uma saída efectiva e tendencialmente agravará as condições sociais de cada um de nós, pelo que é necessária precaução e sobretudo dar atenção às medidas que a priori poderão parecer facilidades (p.e. a diminuição das taxas de juros) e que em contrapartida se tratam de medidas para favorecer interesses económicos e que estão longe de pretender melhorar as condições sociais do país.
Em 2009, comemoram-se os 200 anos do nascimento de Darwin e 150 da publicação do seu livro "Origem das Espécies" e pergunto-me se não será oportuno, de forma coesa, acelerarmos também o conceito de selecção natural relativamente ao governo PS e às medidas que sistematicamente preconiza? A saída de crise não exige o investimento em bancos privados, mas sim um real investimento público e uma efectiva melhoria dos níveis de vida da população, nomeadamente no que respeita às condições sociais, ao emprego, à saúde e à educação.