
Aumenta o desemprego, cresce a luta social
| Jornal - Internacional |
Há actualmente 17 milhões de desempregados no conjunto dos 27 Estados-membros da União Europeia e as previsões são de que dentro de dois anos aquele número cresça para 20 milhões de pessoas sem emprego. Estas são as previsões da União Europeia que nas estimativas de Outono apontava para um crescimento generalizado, embora não uniforme, do desemprego no espaço comunitário. Motivo: a crise económica e financeira, resultado das políticas neoliberais que, um pouco por toda a Europa, os trabalhadores denunciam e combatem, exigindo respeito pelos seus direitos.
As previsões de Outono da União Europeia (UE), davam nota de um aumento acentuado do desemprego, fixando a média daquele crescimento nos 27 em 1,5.
Para Portugal, as previsões do Eurostat indicavam um crescimento do desemprego de 0,2 pontos percentuais, passando de 7,7 por cento em 2008 para 7,9 por cento em 2009. Acontece que em Outubro do ano passado, a taxa de desemprego registado situava-se nos 7,8 por cento e a generalidade dos analistas acredita que neste ano aquela taxa ultrapasse os oito por cento, contrariando assim o falso optimismo do Governo.
Dos 15 países da Zona Euro, apenas o Chipre verá decrescer a sua taxa de desemprego, mas num valor irrisório de 0,1 pontos percentuais. Todos os outros verão os valores do desemprego agravarem-se, com destaque para a Espanha (mais três por cento), a França (mais um por cento), a Bélgica (mais um por cento) e a Irlanda (mais 1,5 por cento). Quanto aos restantes Estados-membros as situações mais graves vão verificar-se na Lituânia que de uma taxa de desemprego de 4,9 por cento em 2008 passará para 7,1 por cento em 2009, na Letónia (de 6,5 para 9,2 por cento) e no Reino Unido (de 5,7 para 7,1 por cento).
O ano que findou derrotou por completo as promessas da União Europeia contidas na designada Estratégia de Lisboa de mais e melhor emprego, provando à saciedade que tal documento apenas visa fragilizar o mundo do trabalho e prosseguir na senda do neoliberalismo. Países como o Reino Unido já admitiram que o desemprego registado atingiu o nível mais elevado das duas últimas décadas; só no ano de 2008, 1,8 milhões de britânicos perderam o seu posto de trabalho.
Recentemente o governo francês admitiu que, por dia, são despedidos 1.200 trabalhadores; em Espanha aquele número cresce para 6.700.
Descontentamento e luta
O desemprego, a precariedade, os baixos salários são consequências das políticas neoliberais. Embora os que outrora defenderam o neoliberalismo, nomeadamente os dirigentes europeus entre os quais os sociais-democratas e os socialistas portugueses, o acusem agora de ser o responsável pela crise económica e financeira que se vive actualmente, são os trabalhadores que continuam a pagar a factura.
Aliás, foi ao dinheiro dos contribuintes que os governos foram buscar os milhões e milhões de euros para salvar a banca da falência. Na Islândia, primeiro Estado a declarar a bancarrota, os trabalhadores conscientes da justeza da sua luta teimam em sair à rua, exigindo a demissão do governo e dos responsáveis do Banco Central islandês. A situação social, neste pequeno país de 330 mil habitantes, apresenta-se grave, com uma inflação galopante, a subida das taxas de juro para 18 por cento (!) o que está a criar dificuldades a quem tem casa compradas com recurso a crédito. Para comprometer ainda mais a situação, o Fundo Monetário Internacional emprestou 2.100 milhões de dólares mas não para salvar a economia do país. Aquele montante destina-se a saldar os depósitos estrangeiros que se encontravam congelados. O povo islandês tem motivos de sobra para lutar.
Em Berlim, gigantescas manifestações de professores, educadores, funcionários públicos e polícias a que se juntaram outros profissionais levaram milhares de pessoas para a rua, exigindo aumentos salariais. A maior economia europeia entrou já em recessão e os governantes querem fazer passar a factura para os trabalhadores. Nos meses de Novembro e Dezembro, dezenas de greves com elevadas adesões verificaram-se por toda a Alemanha.
Em Espanha, foram os polícias e guardas a saíram aos milhares à rua exigindo aumentos salariais. Um protesto que se fez sob a ameaça do governo de José Luís Zapatero de aplicar sanções aos que nele participassem, as quais podem ir até à expulsão.
Em França, a greve dos pilotos da Air France causou graves perturbações no tráfego aéreo. Os pilotos protestaram contra o aumento da idade da reforma de 60 para 65 anos. Entretanto, na maioria das cidades do país, professores e estudantes manifestaram-se contra a redução de postos de trabalho prevista pelo governo para 2009, enquanto os ferroviários paralizavam e paralizaram a França – a greve atingiu a própria circulação em Espanha – contra as alterações na organização do tempo de trabalho no sector. No final do mês foi a vez dos trabalhadores dos correios franceses – La Poste – promoverem uma jornada nacional de protesto contra a transformação da empresa em sociedade anónima vista como o princípio da sua privatização.
No dia 25 de Novembro de 2008, mais de 2,5 milhões de pessoas reuniram-se no Circo Máximo, em Roma, num veemente protesto contra as políticas de direita do governo de Sílvio Berlusconi. Também em Itália, professores e alunos se têm manifestado em todas as cidades, denunciando a reforma governamental que visa retirar qualidade ao ensino público.
Na Grécia, a situação social tornou-se explosiva depois da morte de um jovem de 15 anos abatido a tiro por um polícia. A tensão que se vive neste país dominado por um governo de direita acabou por sair às ruas, onde se têm registado vários confrontos com a polícia. Em menos de dois meses, os sindicatos gregos convocaram duas greves gerais, a última das quais no dia 10 de Dezembro, cuja adesão surpreendeu os mais optimistas.
Em Portugal, depois da maior greve de sempre de professores, outros trabalhadores, como os dos Correios, também se decidiram pela paralização. Neste caso estão em causa os aumentos salariais e o Acordo de Empresa.
Por toda a Europa cresce a luta social, com os trabalhadores a repudiarem as políticas neoliberais que, reconhecidamente, conduziram à actual crise económica e financeira.
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