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Início - Internacional - Repressão marroquina no Sahara Ocidental

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postheadericon Repressão marroquina no Sahara Ocidental

Jornal - Internacional

A ocupação marroquina do Sahara Ocidental conheceu, nos últimos dias, um aumento de violência. Desde o dia 9 de Março, intensificaram-se, mais uma vez, as brutais agressões da polícia marroquina contra civis saharauis, o que coloca na ordem do dia a questão do Sahara Ocidental com numerosas organizações humanitárias a reclarem pelo cumprimento das resoluções das Nações Unidas.
Nos últimos actos de violência, onze activistas dos direitos humanos foram feridos na cidade ocupada de Aaiun, quando regressavam de uma visita aos acampamentos de refugiados saharauis localizados no sul da Argélia e foram recebidos pela população que os aguardava para manifestar a sua solidariedade.
As forças policiais marroquinas investiram de forma violenta contra a população civil saharaui, tendo provocado ferimentos graves em Brahim Sabbar, secretário-geral da Associação Saharaui de Vítimas de Graves Violações de Direitos Humanos; Ennema Safari, co-presidente do Comité para o Respeito das Liberdades e Direitos Humanos no Sahara Ocidental; Ahmed Sbai, secretário-geral do Comité para a Protecção de Presos Saharauis, entre outros activistas dos direitos humanos, cujo único delito cometido foi o de reclamar pacificamente o seu direito inalienável de viver numa nação livre e soberana.
Pese embora as múltiplas resoluções das Nações Unidos e um Acórdão do Tribunal Internacional de Justiça de Haia que reconhecem o direito do povo saharaui à autodeterminação, no terreno, as forças da ONU nada fazem para minorar o sofrimento de um povo que todos os dias é humilhado pelas forças ocupantes.
Desde 1975, que o Sahara Ocidental se mantém sob ocupação do reino de Marrocos. Antiga colónia espanhola, foi o governo de Espanha que assinou naquele ano um acordo de entrega do território à Mauritânia e a Marrocos, cedendo à cobiça de rei marroquino Hassan II que desejava apoderar-se das riquezas naturais do Sahara.
A Frente Polisário que organizou a luta armada contra a ocupação conseguiu libertar o território ocupado pela Mauritânia e nele proclamou, em 1976, a República Árabe Saharaui Democrática, actualmente reconhecida pela União Africana e mais de 80 países, incluindo a Mauritânia.
Em Agosto de 1988, Marrocos e a Frente Polisário aceitaram o plano de paz proposto pelo Secretário Geral da ONU que previa a retirada das tropas marroquinas e a realização de um referendo sobre a independência do país. Marrocos nunca cumpriu a sua parte do acordo e publicamente continua a negar o direito do povo saharauí à autodeterminação.
E perante a passividade das Nações Unidas, Marrocos continua a espalhar o terror no território do Sahara Ocidental, atacando indiscriminadamente crianças, mulheres e idosos. Actualmente, existem mais de 500 pessoas desaparecidas e centenas de presos políticos nas cadeias marroquinas.