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Jovens ocupam Wall Street
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Compelidos pela necessidade de empregos e de um futuro, os jovens que iniciaram o Movimento Ocupar Wall Street que começou a 17 de Setembro na baixa de Manhattan mudaram completamente nos últimos 40 dias a atmosfera política do país, conduzindo-o para a esquerda, ainda que não tenha para já alterado as politicas dos governos locais ou de Washington. Persiste um ataque total sobre os direitos da classe trabalhadora, mas pelo menos agora os trabalhadores e a juventude estão a ripostar aqui no centro do capitalismo mundial.
Muitos participantes, entre as muitas ocupações inspiradas pela OWS, são jovens estudantes e trabalhadores desempregados. Muitos são também brancos em lugar de negros ou latino-americanos. De qualquer modo as ocupações abriram um espaço de luta e discussão política que atraiu a comunidade, as organizações de direitos civis e grupos anti-guerra bem como os maiores sindicatos. Estes grupos, com mais recursos, têm participado em comícios e manifestações ou trazido apoio material – alimentos, roupas – mesmo quando não se juntam aos ocupantes.
Com início em 21 de Outubro, a polícia em quatro das maiores cidades – Cleveland, Chicago, Oakland (Califórnia) e Atlanta – recorreu à força para desalojar os acampamentos. A polícia de Oakland foi especialmente brutal, chamando elementos de 17 departamentos diferentes. Polícias com equipamentos anti-motim, transportando caçadeiras de canos curtos, invadiram a Praça Frank Ogawa às 4,45 horas da manhã do dia 25 de Outubro. Rapidamente começaram a algemar e deter várias dezenas de pessoas, destruíram o acampamento e apreenderam os seus pertences.
A polícia prendeu cerca de uma dúzia de pessoas na “Ocupem Cleveland” no dia 21 às 10 horas da noite, tendo primeiramente bloqueado o acesso à zona com os seus veículos. Em Chicago, na noite seguinte, a marcha anual do Dia de Protesto Nacional atraiu a brutalidade da polícia. Depois de uma marcha, os manifestantes dirigiram-se ao Parque Grant, onde foram recebidos pelo “Ocupem Chicago”. Mais tarde a polícia deteve 130 ocupantes, apreendendo as suas tendas, incluindo uma tenda de socorro médico da União Nacional de Enfermeiros. Em Atlanta, na noite de 25 para 26 de Outubro, a polícia deteve 53 pessoas e desocupou o parque.
O movimento terá agora de encontrar uma forma de responder a estes ataques se quiser sobreviver e crescer. Em Oakland estão já a tentar reocupar a praça.
Em países como Portugal e a Grécia, onde existe uma liderança comunista de uma classe trabalhadora com consciência de classe, pareceria estranho que um movimento espontâneo como o OWS pudesse desempenhar um papel tão importante. Nos EUA contudo, os revolucionários pró-socialistas têm sido afastados do movimento laboral desde o período McCarthy nos anos 50, e os sindicatos vêm perdendo terreno desde, pelo menos, 1980. As ocupações, apesar da sua inexperiência e falta de clareza da sua posição política, têm sido uma lufada de ar fresco para todos os progressistas. Para dar apenas um exemplo, muita gente nas ocupações dispõem-se agora a dar donativos substanciais a jornais marxistas, quando a apenas alguns meses atrás lhes estariam indiferentes.
Apoio dos sindicatos ao OWS
Talvez seja melhor concentrarmo-nos em Nova Iorque, uma cidade com um forte movimento sindical, para explorar as relações entre os sindicatos e a OWS.
Quando a polícia pulverizou com spray pimenta uma jovem, no dia 24 de Setembro, e deteve 100 manifestantes, e quando uma semana depois a polícia cercou e prendeu 700 manifestantes na Ponte de Brooklyn, a OWS regressou ainda mais forte e prosseguiu a ocupação do Parque Zuccotti. Uns dias depois, a 5 de Outubro, dezenas de milhares de membros dos sindicatos juntaram-se numa marcha desde a Praça Foley, na baixa da cidade, até à mobilização da OWS. Professores, trabalhadores universitários, dos hospitais, dos serviços e dos transportes, estiveram presentes, bem como os trabalhadores das telecomunicações Verizon que haviam estado em greve durante algumas semanas em Agosto.
Esta solidariedade foi de novo sentida na manhã de 14 de Outubro, quando o Mayor milionário Mike Bloomberg e a Polícia de Nova Iorque quase conseguiram esvaziar o parque. A AFL-CIO apelou aos seus membros para viram para a praça e cerca de 1500 pessoas dispuseram-se a ser presas. O Mayor recuou e a OWS prosseguiu. No dia seguinte, 15 de Outubro, houve protestos à escala global.
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