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INSCRIÇÕES ABERTAS 2012 / 2013

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postheadericon Dificuldades vão manter-se no novo ano

Jornal - Destaque

O ano que agora se iniciou não anuncia a tão esperada retoma económica que alguns insistem em publicitar. Perda de poder de compra, aumentos salariais que não acompanham o acréscimo do custo de bens de primeira necessidade e números do desemprego a crescerem. As perspectivas para 2010 vão no sentido de mais dificuldades para os trabalhadores e o povo português, agravadas também pela política de direita que o governo de José Sócrates insiste em levar por diante.
A crise não desaparecerá em 2010 como alguns analistas e comentadores (e mesmo o Governo) pretendem fazer crer. Teme-se que mais empresas encerrem – caso da Lear em Palmela que já anunciou o encerramento para este início de ano -, lançando no desemprego homens e mulheres, o que segundo algumas previsões pode levar a taxa de desemprego portuguesa a subir acima dos 12 por cento. Ao desemprego estão associadas dificuldades e muitos dos que ficam sem posto de trabalho não conseguem aceder ao subsídio de desemprego dada a situação de precariedade em que laboravam, o que torna imperioso que o Governo reveja com urgência os critérios para a atribuição do referido subsídio.
A par do desemprego está perda de poder de compra. Um estudo recente revela que, desde 1974, os portugueses a auferirem o salário mínimo nacional têm perdido poder de compra. Nem mesmo o aumento daquele para 475 euros em 2010 conseguirá fazer com que quem o aufere consiga fazer face ao custo de vida que, este ano, voltará a subir, dado que a taxa de inflação volta a terreno positivo.
A pretexto da crise, os patrões rejeitam aumentos salariais. A CGTP-IN apresentou a reivindicação de aumentos dois por cento acima da taxa de inflação prevista – 1,3 por cento em 2010, segundo as previsões do Banco de Portugal, 1,6 por cento, segundo as da OCDE -, havendo sectores onde as reivindicações têm valores mais elevados exactamente com o propósito de fazer face à perda de poder de compra dos trabalhadores.
Se a inflação negativa verificada no ano passado tem como consequência o não aumento das rendas de casa, já o mesmo não se aplica a quem contraiu empréstimo para compra de habitação. Depois de mais de nove meses com os juros a descerem espera-se agora um agravamento da taxa de referência (Euribor) já neste mês de Janeiro, o que se traduzirá num aumento da prestação a pagar pela casa.
Mas com o regresso da inflação a terreno positivo, mais aumentos são esperados, sendo que de todos aqueles que foram entretanto anunciados, o da electricidade é o mais escandaloso. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) decretou um aumento do preço a pagar pelas famílias de 2,9 por cento. Isto quando os portugueses já pagam acima da média da União Europeia pela electricidade que consomem e depois de a EDP ter apresentado nos primeiros nove meses do ano passado lucros na casa dos 800 milhões de euros.