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Início - Jornal "A Voz do Operário" - Destaque - Reduzir o desemprego e não o subsídio

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postheadericon Reduzir o desemprego e não o subsídio

Jornal - Destaque

Para além de ser um grave problema social, o desemprego também é um grave problema económico. O economista Eugénio Rosa concluiu, em estudo recente, que com o desemprego o Esatdo e o País perdem receitas. Outros especialistas, por seu turno, alertam para o facto de que reduzir o subsídio de desemprego como o Governo pretende terá impactos negativos na qualidade do emprego e nos salários.
Eugénio Rosa defende que “é impossível a recuperação económica do País e alcançar taxas de crescimento económico elevadas com os actuais níveis de desemprego” – 575 mil desempregados em Fevereiro segundo o Eurostat, 704 mil desempregados com base nos dados do INE. E fazendo contas, o economista refere que “a redução significativa do desemprego determinaria, por um lado, um acréscimo muito significativo das receitas fiscais e contribuições recebidas pelo Estado (mais 5.911 milhões de euros) e, por outro lado, uma diminuição muito importante das despesas da Segurança Social (2.200 milhões de euros só com o subsídio de desemprego). A riqueza perdida devido ao desemprego corresponde a 14 por cento do Produto Inetrno bruto (PIB) de 2010”.
As alterações no valor do subsídio de desemprego e a redução dos salários oferecidos aos desempregados são medidas previstas no programa de Esatbilidade e Crescimento (PEC). O Governo argumenta que as mesmas visam incentivar o regresso das pessoas ao mercado de trabalho, mas na verdade tem como objectivo, mais uma vez, reduzir as despesas do Estado na protecção social. A CGTP alertou em devido tempo para o facto destas medidas terem efeitos negativos na qualidade do emprego e nos salários dos trabalhadores.
Opinião semelhante tem Nádia Simões, igualmente economista e membro do Observatório Euroepu do Emprego que, citada pelo jornal Público, considera que ao reduzir o subsídio de desemprego e obrigar os desempregados a aceitar ofertas de emprego por salários menores dos que os que tinham até ficarem sem posto de trabalho “poderá resultar em empregos com pouca qualidade e que podem afectar os rendimentos das famílias, já que as empresas tenderão a oferecer salários mais baixos”.
Carlos Pereira da Silva, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) vai mais longe e diz mesmo. “Estas medidas servem para responder à Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e à Comissão Europeia. Não é pela redução do subsídio de desemprego que se motiva a procura de emprego, tem que haver outras medidas, nomeadamente formação profissional com saídas profissionais”.