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INSCRIÇÕES ABERTAS 2012 / 2013

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postheadericon A escola que eu escolhi

Jornal - Voz

A escolha de uma escola é provavelmente uma das escolhas mais difíceis da longa sucessão de escolhas e opções que constitui a educação de uma criança.
De uma maneira geral, as prioridades básicas dos pais não diferem muito entre si: segurança, boas relações afectivas entre as crianças e os adultos, qualidade pedagógica. Ou seja, quer-se que os filhos gostem da sua escola e estejam e se sintam seguros na mesma e que tenham um ensino de qualidade, que lhes permita serem e virem a ser bons alunos e realizar um percurso escolar de qualidade e sucesso. No entanto, alguns pais procuram isto, mas também mais do que isto: procuram uma escola com valores seguros, solidária e humana, que ensine as competências definidas no currículo, mas também que ensine as competências sociais e humanas, ou seja, que forme bons alunos, mas também cidadãos informados, activos, conscientes e solidários.
Esta é a escola que queremos ser.
Investigação científica na área indica que as experiências escolares precoces (1.º ciclo) influenciam de forma muito significativa o desempenho e a atitude futura face à escola, na medida em que é durante os primeiros anos de escolaridade que as crianças formam a sua auto-imagem enquanto alunos e a sua imagem da escola e dos professores. Como tal, é muito importante que as crianças desenvolvam impressões e afectos positivos face à escola desde o seu início, aprendam a gostar de trabalhar e de aprender e se sintam envolvidas e importantes para a vida da turma e da escola, entre outras coisas.
Acreditamos numa escola que se baseia na liberdade com responsabilidade, na participação activa de todos na vida e nas decisões do grupo a que pertencem e na valorização dos alunos e das suas competências e experiências extra-escolares. Acreditamos numa escola em que os alunos se sentem livres e têm gosto por saber e aprender, bem como, gosto em partilhar com os outros aquilo que sabem e aprendem. Acreditamos numa escola em que todos são importantes e se importam com todos e em que o bem-estar afectivo e emocional tem tanta importância como os resultados escolares. Acreditamos numa escola que não se fecha sobre si própria e olha a comunidade de frente, procura articular os “saberes da escola” com os “saberes da vida” e mostra, na rua e no dia-a-dia, a língua portuguesa e a matemática aos seus alunos (bem como as outras disciplinas) não as confinando aos cadernos e às salas de aula. Acreditamos numa escola que explora as ciências, o desporto e as artes, estimula a criatividade, o sonho e a imaginação e ajuda cada um a encontrar prazeres e vocações, para além de desenvolver competências académicas.
Como tal, a nossa organização, ao nível do 1.º ciclo, difere da escola tradicional, estruturando-se no sentido de permitir a concretização de todos estes objectivos.
Uma das principais diferenças prende-se com o facto de não existir material individual. Todo o material escolar presente nas salas de aula pertence e é responsabilidade de todos, tendo de ser cuidado e partilhado por todos, o que consideramos que traz óbvios benefícios para as crianças. Os cadernos, lápis e canetas são iguais para todos, diferenciando-se pelos desenhos e enfeites que cada um cria, o que é outro aspecto importante uma vez que as diferenças se estabelecem pela criatividade individual e não pelo poder de compra dos pais. Os alunos são habituados, desde cedo, a gerir a posse dos materiais, a zelar pelos mesmos e a fazer com que todos zelem, o que são fundamentos precoces de competências que cada vez mais se revelam fundamentais no mercado de trabalho actual. Ao mesmo tempo, todos os alunos têm tarefas – diárias ou semanais – essenciais ao bom funcionamento da sala de aula – desde dar a palavra nas discussões, a organizar entradas e saídas ou regar a planta da turma, dependendo sempre as tarefas da vida e das necessidades de cada grupo – o que se insere na mesma lógica de cada um ser útil, responsável e importante para o sucesso e bem-estar de todos.
Outra das diferenças mais importantes relaciona-se com a gestão do trabalho diário e da evolução dos alunos. Os conteúdos programáticos de cada turma são expostos e explicados aos alunos, existindo uma monitorização regular, entre professores e alunos, dos objectivos definidos para cada período. Existem momentos de trabalho colectivo, em que todos trabalham o mesmo conteúdo e/ou ficha, e existem momentos de trabalho individual, em que cada um trabalha no seu Plano Individual de Trabalho, que o próprio define (diária ou semanalmente, conforme o ano de escolaridade), tendo em conta as suas dificuldades e as áreas em que mais precisa de investir. Não existem manuais escolares mas antes ficheiros organizdos, para cada área disciplinar, com fichas de diferentes graus de dificuldade, adequados aos alunos de cada turma e às suas capacidades e dificuldades. Como tal, é possível que na mesma turma existam crianças a trabalhar fichas de um ano inferior àquele em que realmente estão e outras a trabalhar fichas de um ano superior ao que realmente estão. Existe também uma lógica de entre-ajuda: aqueles que são melhores numa área oferecem-se para trabalhar com os outros essa área, podendo até estes retribuir ajuda numa outra área. O princípio é o de que todos podem ajudar e ser ajudados. Ao mesmo tempo, existem muitos momentos de avaliação formativa: todos os planos de trabalho, tanto diários como semanais, são regularmente avaliados, pelo professor e pelo grupo de alunos, com o objectivo de identificar falhas e optimizar desempenhos, o que não só desdramatiza a avaliação como ajuda cada criança a pensar sobre o seu próprio trabalho e a aperceber-se dos seus erros e dificuldades em tempo útil.
A terceira grande diferença relaciona-se com a gestão de conflitos. Os alunos participam na resolução de todos os problemas da turma, existindo um momento semanal para tal: o Conselho de Turma. Ao longo da semana, as crianças registam no Diário de Turma as principais ocorrências da semana, organizadas em colunos “Gostei”, “Não gostei” e “Proponho”, as quais são lidas, discutidas e resolvidas no Conselho de Turma, por todos. O facto dos assuntos não serem discutidos no imediato permite às crianças aprenderem a gerir e a elaborar emocionalmente os seus conflitos, para além de que o facto de todos os intervenientes darem a sua versão dos acontecimentos e todo o grupo participar na decisão permite às crianças adquirirem importantes competências socio-emocionais, tais como a assertividade, a capacidade de se colocar no lugar do outro, etc.
Esta é a esocla que queremos ser: assente nos alunos e na participação destes, ligada à vida e às vivências das crianças, com espaço para as artes, para as ciências e para o desporto e, acima de tudo, com alunos contentes por serem alunos.
Está é a escola que pensamos que somos.