A tarde do mês de Julho corre calma no Centro de Convívio de A Voz do Operário. A grande maioria dos utentes partiu de férias como explica Manuela Alegre, a animadora do Centro. É a altura de muitas regressarem às terras de origem de onde há também muitos anos saíram rumo a Lisboa. Em redor de uma mesa, três mulheres conversam ao mesmo tempo que se entretêm com trabalhos de lavores. Também irão em breve de férias, mas por enquanto juntam-se todas as tardes para fazerem companhia umas às outras.
Foi por conselho do médico que Alice Santos, de 88 anos, começou a frequentar o Centro de Convívio há dois meses. “Agora estou a viver com a minha filha em Alfama, mas como a minha filha trabalha passo muito tempo sozinha. O médico disse que devia conviver e vim para A Voz do Operário. Assim estou acompanhada”.
Alice é natural de Lisboa e foi costureira, entre outras empresas, nas Oficinas Gerais de Fardamento do Exérctio. “Fiz muitas fardas para os homens que iam para a guerra”, refere. Mãe de cinco filhos, avó de seis netos confidencia que também já tem bisnetos e que foi aluna de A Voz. “Foi aqui que fiz a instrução primária e agora, ao fim de tantos anos, estou de regresso”.
Miraldina Ribeiro tem 79 anos e é natural de Vila Boim, concelho de Elvas, mas há cerca de 60 anos que vive em Lisboa. “O meu pai era funcionário da Justiça e reformou-se na mesma altura em que uma irmã que viva na Costa do castelo se mudou para Benfica. A minha tia insistiu em que viessemos para Lisboa e ficassemos com a casa dela e os meus pais assim o fizeram”.
Em Lisboa, Miraldina conheceu o marido e juntos começaram, há cerca de 10 anos, a frequentar o Centro de Convívio de A Voz. “Anteriormente íamos ao centro de convívio do Menino de Deus, depois fechou, uma vizinha falou-nos da Voz e passámos a vir para aqui. Entretanto, o meu marido adoeceu e deixámos de vir. Voltei há pouco tempo, após a morte do meu marido e está a fazer-me bem. Aqui estou entretida e converso. Participo nas actividades e trago sempre uma «coisinha» para fazer”, diz enquanto manuseia a agulha de croché.
É também para quebrar a solidão que Firmina Maria frequenta o Centro de Convívio de A Voz. Sem filhos e natural de Cercal do Alentejo, Firmina vive há 61 dos seus 78 anos em Lisboa. “Venho um bocadinho todos os dias para me distrair. Vivo sozinha e aqui tenho companhia e com quem falar”, refere, acrescentando que também ela foi outrora utente do centro do Menino de Deus e que há dez anos se mudou para A Voz.
Firmina gosta de ler e é por “não querer” que não participa nas actividades: “fico a ver, mas não faço porque já não tenho mão”.
Para frequentar o Centro de Convívio de A Voz do Operário, que funciona todos os dias úteis das 14 às 18 horas, basta ser sócio da Instituição. O centro de Convívio é para muitos idosos e pensionistas uma forma salutar de ocupação do tempo, dado que nele se desenvolvem actividades lúdicas e recreativas destinadas aos utentes, aos quais é fornecido lanche. Para além disso, é também uma oportunidade de envolvimento inter-geracional, uma vez que algumas das actividades são desenvolvidas com os alunos da escola da Graça.