Jornal "A Voz do Operário"
Espaço Educativo do Restelo: Mais um caso de sucesso
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No passado ano lectivo, fruto de um protocolo estabelecido entre A Voz do Operário e a Câmara Municipla de Lisboa, entrou em funcionamento o Espaço Educativo do Restelo de A Voz. Numa moradia daquela zona da cidade iniciava-se mais um projecto educativo orientado pelo Método da Escola Moderna (MEM) com pouco mais de 20 meninos e meninas, alguns dos quais vindos da Escola da Ajuda para frequentar o pré-escolar. Em pouco tempo o número de crianças foi crescendo, novas salas começaram a funcionar. Chegados ao presente ano lectivo, o Espaço Educativo do Restelo alberga 84 crianças, dos zero aos 5 anos e tem mais 190 meninos e meninas em lista de espera. Sem dúvida um caso de sucesso que, em grande medida, se deve à equipa que trabalha naquela escola de A Voz.
Ainda há meninos e meninas a chegar, mas nas salas já se “trabalha”. É o caso da sala dos dois anos da educadora Cátia Soares onde, ao redor de uma mesa, se fazem desenhos, enquanto outros se entretêm com brinquedos.
É manhã de ginástica para as crianças da sala de dois anos da educadora Sofia que se atarefa a tirar sapatos para calçar as sapatilhas aos pequenos “ginastas”. Há quem chore por não se querer descalçar, mas o choro termina quando chega o professor Luís que ministra as aulas de ginástica aos meninos e meninas das duas salas dos dois anos e da sala de pré-escolar.
Há também a música dada pelo professor João. “Os meninos das salas de um ano não têm ginástica, mas têm música”, explica Olga, a coordenadora pedagógica da escola do Restelo e educadora da sala do pré-escolar.
É também Olga que mostra as novidades introduzidas na escola. “O espaço foi-se adaptando às necessidades e embora estejamos instalados numa moradia e não num edifício construído para funcionar como escola não tem sido difícil essa adaptação” que surgiu da crescente procura que o Espaço Educativo do Restelo tem tido. “Em Setembro do ano passado começámos a funcionar com uma sala de pré-escolar e uma de creche. Em Outubro abrimos mais uma sala de creche, em Novembro o berçário e em Março deste ano uma nova sala de dois anos”.
Sempre a crescer, no início do presente ano lectivo, a Escola do Restelo sofreu nova alteração. “Transferiu-se o berçário para o segundo andar e criou-se mais uma sala de dois anos”, diz Olga, acrescentando que “está a ser equacionada a possibilidade de no próximo ano abrir mais uma sala de pré-escolar para responder às solicitações existentes”.
Escola aberta
As portas das salas estão abertas, havendo apenas pequenas cancelas que impedem a saída das crianças. “Não queremos portas fechadas. Esta é uma escola aberta. Queremos que os pais entrem, que vejam como os filhos estão na escola, que participem nas actividades com eles”, refere a coordenadora pedagógica, adiantando que esta foi uma experiência que trouxe da Escola da Ajuda, onde esteve durante sete anos, até aceitar o desafio de ajudar a “criar” a Escola do Restelo.
Da Escola da Ajuda chega também a alimentação, onde é confeccionada, que despois é preparada na cozinha da Escola do Restelo. São ementas diversas de acordo com os diferentes níveis etários, mas também com as horas de comer de cada um; no berçário ainda não há hora de almoço, esta começa a ser introduzida nas salas de um ano, bem como a hora da sesta, mas alguns são muito pequeninos e tudo tem de ser feito de acordo com o ritmo de cada um. Na sala de educadora Sara, por exemplo, o Miguel faz beicinho e chora. “Está cheio de sono” elucida a educadora, enquanto prepara a fruta cozida e reduzida a papa que os meninos e meninas comem no intervalo entre o pequeno-almoço e o almoço. “Optámos por dar fruta. Sempre é melhor que bolachas”, indica Olga. Reduzida a puré para os mais pequeninos, descascada e cortada em quartos para os mais crescidos. A outra sala de um ano está a cargo da educadora Cátia Pinho.
Na sala polivalente que serve de ginásio, de local para as aulas de música e de recreio quando chove, a escola realiza diversas actividades; umas destinadas a toda a comunidade escolar, pais incluídos, outras, como as sessões de cinema com pipocas, para os alunos do pré-escolar.
Contribuição de todos
Com um amplo espaço exterior ajardinado, a Escola do Restelo tem condições para acolher diversas iniciativas de ar livre, a par de outras que podem ser realizadas na sala polivalente. No jardim sobressai uma grande palmeira que tem dado algumas dores de cabeça, desde logo, porque acolhe muitos pombos que sujam todo o espaço e os terraços. “A palmeira precisa de limpeza e manutenção e como A Voz está a atravessar dificuldades os pais organizaram-se, pediram um orçamento e agora estão a recolher contribuições”, conta a coordenadora pedagógica, apontando este como mais um exemplo do envolvimento dos pais no funcionamento da escola.
Tanto assim que ao longo do passado ano lectivo foram dinamizadas diversas iniciativas em que os pais e encarregados de educação deram o seu contributo – um magusto, Festa de Natal, Dia do Pai, Dia da Mãe, arraial de final de ano. “O ano passado a festa de Natal foi realizada em conjunto com a Escola da Ajuda, mas este ano isso não vai suceder porque que já não faz sentido dada a dimensão que esta escola atingiu”, diz Olga, anunciando que no próximo dia 12 de Novembro, na Escola do Restelo vai realizar-se o tradicional magusto de São Martinho.
“Agora a escola está estabilizada, temos os educadores necessários e o trabalho está a fazer-se seguindo as linhas orientadoras do Método da Escola Moderna. Orgulhamo-nos do trabalho que estamos a fazer que também envolve muito trabalho voluntário e sentimos que os pais estão contentes. Sempre haverá algo a melhorar, mas aquilo que caracteriza as escolas de A Voz do Operário também se vê aqui”, afirma, sem esconder o contentamento, a coordenadora pedagógica do Espaço Educativo do Restelo.
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