Jornal "A Voz do Operário"
Crise e lutas em Portugal e no mundo
| Jornal - Nacional |
Os defensores e promotores do capitalismo globalizado já não escondem a dimensão e profundidade da crise do sistema que alimentaram e que lhes trouxe e traz fabulosos lucros.
Uma crise que não era de todo inesperada e imprevisível. Quantas vezes não ouvimos e lemos, no nosso país, o PCP, a CGTP-IN, denunciar a escandalosa e perigosa subordinação da economia real e produtiva à desenfreada especulação financeira?
Quantas vezes estas forças não afirmaram que era imperioso e urgente pôr fim à desregulamentação económica, financeira, laboral e social? E que o Estado tinha de assumir um papel não só regulador mas determinante na condução de toda a actividade económica e financeira? Que era necessário pôr fim à onda privatizadora e à destruição das funções sociais do Estado?
Que os direitos laborais e sociais não podiam ser vistos como privilégios e que tinha de parar o violento ataque aos direitos dos trabalhadores, nomeadamente contra o direito à negociação colectiva e contra os salários, na busca do lucro imediato por parte do capital?
A consequência principal desta brutal ofensiva foi o aumento desenfreado das desigualdades sociais e da distribuição da riqueza.
A despesa pública era vista como inimiga dos défices enquanto todo o apoio era concedido ao capital privado e à especulação financeira, em detrimento do investimento produtivo.
É claro que se mantém hoje toda esta dualidade. O que se verifica é que alguns governos intervêm agora, com o dinheiro dos contribuintes, para salvar bancos e instituições financeiras ou mesmo empresas que declaram falências fraudulentas. É o regabofe de milhares de milhões para recompensar os culpados da crise, à custa de quem tem feito todos os sacrifícios.
A Cimeira do G20 não deu resposta aos sérios problemas no plano social, como o brutal aumento do desemprego e da precariedade. A disponibilização de avultadas somas não altera as opções de fundo, pois saem reforçadas as instituições centrais do sistema, como o FMI e os paraísos fiscais, precisamente os responsáveis pela actual crise.
De resto, essas medidas não podem ter resultado positivo a médio ou a longo prazo, pois esses governos e forças políticas que as defendem e promovem estão a aprofundar as suas políticas anti- populares e anti-sociais, de dominação e exploração, como se vê, entre outro exemplos, na proposta de Directiva da UE sobre o tempo de Trabalho ou no Código de Trabalho do Governo PS/Sócrates. Quando antes defendiam de pedra e cal o mercado livre, agora proclamam reformar o sistema com mais regulação, como se a regulação pudesse corrigir tendências inerentes ao funcionamento do capitalismo, e o Grande Capital permitesse que os seus serventuários nos Governos os colocassem agora numa jaula.
Cresce a resistência e luta
Por tudo isto, cresce vigorosamente o sentimento entre os trabalhadores e os povos de que só a sua luta e uma clara ruptura com o sistema político e económico dominante pode pôr fim à profunda crise actual.
Em todo o mundo, o momento é de resistência e luta contra aqueles que querem fazer os trabalhadores e as camadas mais desfavorecidas pagar a crise.
Os partidos comunistas e de esquerda, os trabalhadores e o movimento sindical mobilizam-se nas ruas e nos locais de trabalho, e cresce a consciência da necessidade de exigir uma clara mudança de rumo.
Os tempos que atravessamos são particularmente difíceis para os trabalhadores e para os povos, que lutam em defesa do emprego, dos direitos, dos salários e das conquistas democráticas e sociais, gravemente ameaçadas. Mas são também tempos de enorme potencial para desmascarar o capitalismo e, através da luta, construir caminhos alternativos e emancipadores.
Por isso lutámos em massa, unidos na CGTP-IN, no passado dia 13 de Março. Por isso lutaram os trabalhadores franceses, em Janeiro e Março, em grandiosas greves e paralisações. Por isso se mobilizaram centenas de milhar de trabalhadores irlandeses no dia 21 de Março, quase 1 milhão de brasileiros a 30 de Março, milhões de gregos no passado dia 2 de Abril e italianos no passado dia 4 de Abril, bem como muitos milhares na Bulgária, na Lituânia e Letónia, estando previstas outras acções de luta, em Maio, em todo o continente europeu.
A Federação Sindical Mundial organizou, no dia 1 de Abril, em todo o mundo, com a participação de milhões de trabalhadores, um Dia Internacional de Luta pelos Direitos dos Trabalhadores, Contra a Exploração. Por razões semelhantes paralisaram em datas diferenciadas, até final de Abril, trabalhadores e sindicatos no País Basco, no Peru, na Argentina, no Chile e em muitos países de outros continentes.
E em Portugal, os trabalhadores e o povo prosseguem o combate, de forma determinada, já em 25 de Abril e no 1º de Maio e, posteriormente, saberão levar a sua luta até ao voto, nas eleições de 7 de Junho, para um Portugal com “Abril de Novo”, por uma outra Europa, dos trabalhadores e dos povos e por um outro mundo que é necessário e urgente construir.
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