Jornal "A Voz do Operário"
Carteiros profissionais substituídos por particulares
| Jornal - Nacional |
Juntas de freguesia, comerciantes e meros cidadãos estão a subsituir os carteiros. A denúncia é feita pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações que alerta igualmente os utentes dos CTT para as eventuais anomalias na distribuição postal. Na região de Lisboa, há ainda duplicação de serviços e custos.
Correspondência atrasada e trocada com os consequentes transtornos para os utentes são alguns dos efeitos da entrega da distribuição postal por parte dos CTT a juntas de freguesia, comerciantes e até particulares. Tudo porque, diz Eduarda Reta, “a empresa quer reduzir custos, desfazendo-se das actividades de menor rentabilidade”. Nesta situação há já quem contrate terceiros para fazer a entrega da correspondência; “são pessoas pagas à peça que embora façam o trabalho de carteiros não têm nem formação, nem direitos”.
Às queixas dos utentes juntaram-se as denúncias do Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT) que crítica estas medidas e a “falta de controlo efectivo por parte dos CTT” no que à distribuição postal diz respeito.
Estas medidas inclusive levaram os carteiros do centro postal da Costa da Caparica a três períodos de greve no mês de Dezembro, dois dos quais coincidentes com as semanas do Natal e do Ano Novo. “A empresa [CTT] entregou três giros ou voltas a privados e agora pretende alterar não só a organização do serviço como os horários de trabalho dos trabalhadores daquele centro postal”, explica Eduardo Reta, adiantando que “esta foi uma experiência negativa a todos os títulos, mas que a empresa se prepara para levar a outros centros postais”.
Para o dirigente do SNTCT o objectivo da empresa é o de sempre: reduzir custos e para isso fá-lo à custa da qualidade do serviço e mesmo da redução de pessoal. “Despedimentos ainda não houve, no entanto, alguns trabalhadores, nomeadamente carteiros, que estavam a contrato a termo certo não viram os seus contratos de trabalho renovados”, revela Eduardo Reta.
O caso da região de Lisboa
Enquanto que no interior do País os CTT cortam nos custos com a distribuição postal, na região de Lisboa duplicam-nos. Este é pelo menos o entendimento do SNTCT relativamente à criação da DTE, empresa vocacionada para a distribuição de correio empresarial e pertencente ao grupo CTT. “Na prática o que se verifica é que este tipo de correspondência é tratada pela Mail Tec – outra empresa do grupo CTT – e depois distribuída por gente que não se sabe quem é” acusa Eduardo Reta. Os clientes são câmaras municipais, bancos e outras empresas que estabeleceram acordos com os CTT para usufruirem deste tipo de serviço.
Acrecse a tudo isto que a correspondência prioritária, internacional, os registos e mesmo o designado correio normalizado continua, no entanto, a ser distribuída pelos carteiros. “Há aqui uma duplicação de custos que não se entende e a empresa alega que esta é uma experiência com vista à liberalização postal, porém, no nosso entendimento o objectivo é mais uma vez reduzir custos”, diz o dirigente sindical.
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