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Início - Jornal "A Voz do Operário" - Nacional - Patronato recua nas 60 horas

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Jornal - Nacional

A greve anunciada para a véspera de Natal nos supermercados, hipermercados e grandes superfícies especializadas acabou por fazer recuar o patronato na sua proposta de horários laborais de 12 horas diárias e 60 horas por semana. Para o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), que convocou a paralização, a “luta traz resultados”.
O pré-aviso de greve foi retirado depois da garantia dada pelos patrões de voltarem à mesa das negociações e suspenderem a entrada em vigor dos novos regimes laborais. “A participação, a acção e a luta dos trabalhadores estão na base deste resultado positivo, que não resolvendo todos os problemas, afasta uma proposta desumana que, a ser transformada em norma legal, faria a saúde e a vida dos trabalhadores e seus familiares num inferno”, congratula-se o CESP no comunicado em que também destaca a solidariedade manifestada pelos consumidores dos supermercados, hipermercados e grandes  superfícies especializadas.
No mesmo texto diz-se ainda que “o pré-aviso também foi retirado porque se gerou um grande consenso entre todos os trabalhadores, incluindo muitos quadros e chefias, e na opinião pública, condenatório de uma proposta patronal desumana que visava fixar de véspera 12 horas de trabalho diárias e 60 semanais meses a fio, com apuramento médio anual – a chamada flexigurança à portuguesa”.
O CESP considera que “é triste que tenha sido um governo socialista a manter e aprofundar esta 'barbaridade' de prever 12 horas por dia e 60 de trabalho por semana, ainda que condicionadas na sua aplicação à negociação na contratação colectiva, na última versão Sócrates/ Vieira da Silva do Código do Trabalho repescada pelas empresas da grande distribuição”.

Manifestação em Fevereiro

Entretanto, a coordenadora da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública agendou um conjunto de acções e lutas pela reposição do poder de compra e de direitos retirados pelo Governo PS que culminarão em Fevereiro com uma manifestação nacional e em Março com uma vigília.
As reivindicações passam por salários e pensões dignas, reposição do poder de compra perdido, condições de aposentação anteriores a 2004, suspensão do sistema de avaliação de desempenho, manutenção do horário de trabalho de 35 horas semanais e revogação das normas gravosas contidas na nova legislação para a Administração Pública.
No dia 10 de Dezembro, a Frente Comum aprovou um calendário de acções e lutas e marcou para o dia 5 de Fevereiro uma manifestação nacional e para Março uma vigília, durante uma semana, em frente à Assembleia da República, no decorrer da discussão e votação do Orçamento de Estado para 2010.
Recorde-se que, desde 2000, os trabalhadores da Administração Pública já perderam 5,9 por cento do valor real dos seus salários.