Jornal "A Voz do Operário"
Crime de Lesa-Pátria
| Jornal - Nacional |
Chegou-me um comunicado da Comissão de Trabalhadores da TAP, que esclarecendo questões não divulgadas nos grandes meios de comunicação social, colocava as perguntas: Privatizar para quê? Privatizar porquê?As grandes campanhas a que assistimos para justificar as privatizações são normalmente o peso que as empresas públicas têm para o orçamento de estado (OE). Porém, como o comunicado esclarece, a TAP há treze anos que não recebe qualquer apoio financeiro do Estado.
Verifica-se também que em 2010 o Grupo TAP entregou ao Estado 220 milhões de euros, em impostos e contribuições sociais.
Estes dois factos demonstram que o “porquê” não reside no contributo da TAP para o défice, dado que sendo contribuinte líquido ajuda a combatê-lo.
Vejamos agora outro aspecto.
Todos os dias e em vários órgãos de comunicação social é afirmado que a linha de recuperação económica assenta nas exportações.
Então qual é o contributo da TAP nesta área?
Esta empresa gera uma receita anual superior a 2000 milhões de euros (dois mil milhões de euros) sendo cerca de 70% obtida no estrangeiro, isto é, 1400 milhões de euros.
Esta realidade torna a nossa transportadora aérea, desde 2009, na maior empresa exportadora nacional.
Acrescente-se ainda (continuamos a socorrer-nos do comunicado) que a TAP é também dinamizadora de outras actividades económica: ANA, NAV, fornecedores de combustível, táxis e empresas de transportes, envolvendo milhares de postos de trabalho e milhares de milhões de euros de negócios.
Conclui-se assim que também não é o ser um peso para a economia nacional que responde ao “porquê”.
Se o “porquê” não está no peso para o OE, nem para a economia, tem de ser encontrado noutro lado. Para tanto bastará consultar o Memorando da Troika, assinado por PS, PSD e CDS (convém nunca esquecer que nestas coisas há sempre responsáveis) onde consta explicitamente o compromisso de privatizar a TAP.
Visto o “porquê”, importará conhecer o “para quê”.
Como o comunicado refere, e citamos: “Se a TAP for absorvida por uma qualquer empresa ou grupo estrangeiro, os trabalhadores, a Empresa e o País vão perder muito.”
Como parêntesis diga-se que mesmo que a aquisição fosse por uma entidade nacional a curto prazo era engolida pelo capital estrangeiro como tem vindo a acontecer às outras que foram privatizadas.
Ao ser adquirida por uma outra qualquer empresa, todos os serviço que servissem à nova proprietária passariam para esta. Restaria eventualmente o Brasil, onde a TAP tem um peso significativo e pouco mais.
Os postos de trabalho, directos e indirectos, seriam brutalmente reduzidos (aumento do desemprego) as receitas iriam parar a outros países (redução das exportações e retracção do economia).
Está então encontrado o “para quê”: aumento do desemprego, agravamento da situação económica nacional, redução das receitas do OE / agravamento do défice, abocanhar de uma fatia importante da nossa economia pela dos países que nos estão a estrangular.
Se a privatização da TAP se concretizar, pelo que acima referimos, estamos perante um crime de Lesa-Pátria, que esperamos um dia venha a ser julgado.
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