Get Adobe Flash player

INSCRIÇÕES ABERTAS 2012 / 2013

CRECHE / PRÉ / 1º CICLO / 2º CICLO Contacte a secretaria - 218 862 155 secretaria@vozoperario.pt

Início - Jornal "A Voz do Operário" - Internacional - Oito anos de ocupação e guerra

postheadericon Jornal "A Voz do Operário"

postheadericon Oito anos de ocupação e guerra

Jornal - Internacional

A guerra no Afeganistão é tema da cimeira de líderes da NATo que se realiza no início deste mês. Sem um fim à vista, o conflito entre os países da organização militar liderados pelos Estados Unidos da América (EUA) e os talibãs dura há mais de oito anos, tendo causado a morte a mais de sete mil civis, entre eles muitas crianças. Uma guerra para combater o terrorismo, nas palavras do antigo presidente dos EUA, Georges Bush, mas que tem outras motivações.
Um relatório recente da Organização das Nações Unidas indica que o número de civis mortos no Afeganistão em 2008 aumentou 39 por cento em relação a 2007. “A missão de assistência das Nações Unidas no Afeganistão (UNAMA) registou um total de 2.118 civis mortos em 2008. O aumento do número de vítimas foi de quase 40 por cento em relação a 2007, ano em que foram contabilizados 1.523 mortes civis” assinala o relatório. A morte continua, já neste ano de 2009, a fazer parte do quotidiano das populações civis; ainda recentemente um raide norte-americano matou cerca de uma centena de pessoas que assistiam a um casamento, entre as vítimas estavam 23 crianças.
Tal como no Iraque, também no Afeganistão o conflito parece não ter solução e o próprio comandante da Força Internacional de Assistência e de Segurança (ISAF), o general norte-americano David McKiernan, admitia que os ocupantes “não estavam a vencer” no Sul do país, onde se situa a capital Cabul. A resistência, que não só a movida pelos talibãs – armados e preparados pelos EUA aquando do conflito que mantiveram com a ex-União Soviética – tem crescido e Washington dá sinais claros de se sentir perante uma encruzilhada, tanto mais grave porquanto a guerra poderá estender-se à região, sendo já sentida no Paquistão. Em recente deslocação a Bruxelas, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, veio pedir o apoio da Europa para a guerra no Afeganistão, dizendo que “estamos a perder, mas não está perdida”. Biden revelou ainda a nova estratégia para o conflito que passa por seduzir com dólares os talibãs, convencendo desta forma os “mais moderados” a deporem as armas.
Nesta guerra em que Portugal também participa com um contingente de cerca de 100 militares, é, quase diariamente, anunciado o envio de reforços. Só os Estados Unidos vão enviar mais 17 mil homens, tendo o actual presidente norte-americano, Barack Obama pedido uma dotação orçamental suplementar ao Congresso de 75 milhões de dólares para o esforço de guerra que o seu país está a fazer no Afeganistão. Notícias na comunicação social apontam também para que o número de militares dos países europeus possa triplicar no decorrer deste ano. Tudo para pôr termo a um conflito que se arrasta e parece não ter vencedor à vista. Apenas vítimas.

Pobreza atinge 70% da população

O estudo realizado pelo Conselho Internacional sobre Segurança e Desenvolvimento, antigo Conselho de Senlis, dá nota de que, neste momento, 70 por cento do território afegão é controlado pelos talibãs que após o conflito com a União Soviética impuseram no país um regime de fundamentalismo religioso quase medieval, violento e brutal para com as mulheres, uma ditadura teocrática. Observadores internacionais consideram que as populações estão a acolher de novo os talibãs, cansadas dos ocupantes e de um governo fantoche, colocado no poder pelos Estados Unidos e que não as defende do invasor.
Tido como um narco-Estado, é o cultivo de papoilas que dá emprego aos poucos que o têm. A droga (ópio) tornou-se a principal fonte de rendimentos de muitas famílias, encontrando-se a débil economia do país completamente arrasada com 40 por cento do afegãos a viverem em pobreza extrema e mais de 70 por cento da população a viver abaixo do limiar de pobreza.
Desencadeada na sequência do ataque às Torres Gémeas a 11 de Setembro de 2001 e designada como “Operação Liberdade Duradoura”, a invasão do Afeganistão – que acabaria por ter também cobertura da ONU – teve como pretexto “libertar o povo afegão” do regime talibã e combater o terrorismo, nomeadamente a Al-Qaeda, que, tal como o seu líder Osama bin Laden, estriam a ser protegidos pelos talibã.
Naturalmente que os propósitos enunciados não são os que efectivamente suportam o conflito e os objectivos são, para os EUA, de natureza geo-estratégica. O Afeganistão faz fronteira com a Rússia e com a China e os Estados Unidos pretendem instalar e manter naquela região da Ásia Central um contigente militar. Não contavam, porém, com uma tão forte resistência que já ultrapassa em muito o pequeno exército talibã.
É essa resistência que obriga a engrossar o contingente estrangeiro. Actualmente, 40 países têm tropas no Afeganistão. No início da ocupação, a ISAF tinha 5.000 efectivos, concentrados sobretudo em Cabul. Agora, mais de 40.000 mil homens constituem a força instalada e o número poderá vir a aumentar. Observadores internacionais concluem que o aumento do número de militares resultou apenas numa escalada de guerra de ambos os lados e no aumento do número de vítimas civis.
Mas também o exército norte-americano soma baixas que têm vindo a crescer. Em 2008, 130 soldados dos EUA perderam a vida no Afeganistão. No ano anterior aquele número tinha sido de 117.
Atolados numa guerra sem fim à vista, os EUA, a NATO e seus aliados continuam a procurar resolver o conflito com recurso às armas. Do lado afegão é todo um povo que repudia a ocupação do seu país e apoia a luta contra o invasor.