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Início - Jornal "A Voz do Operário" - Internacional - O fracasso da cimeira de Copenhaga

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postheadericon O fracasso da cimeira de Copenhaga

Jornal - Internacional

A cimeira de Copenhaga decorreu entre os passados dias 7 e 18 de Dezembro, dois anos depois da cimeira de Bali.
Em 2007, nessa cimeira de Bali, chegou-se à conclusão que não havia condições para fechar acordos sobre metas de redução de emissões de gases com efeito de estufa, para o período pós-Quioto (relembra-se que o período de cumprimento de Quioto é de 2008 a 2012, o que significa que depois dessa data há um vazio de metas e de estratégia de combate às alterações climáticas). Definiu-se, então, que o ano de 2009 seria o ano crucial para estabelecer esse acordo, que havia falhado em Bali. Não era possível esperar mais do que 2009 e até lá todos os esforços seriam estabelecidos para que o acordo fosse finalizado.
O certo é que 2009 decorreu, a conferência de Copenhaga terminou e nada foi acordado. A conferência de Copenhaga foi um rotundo falhanço e demonstrou que de 2007 a 2009 não se fizeram os trabalhos de casa que permitissem chegar ali com resultados positivos. Parece que os responsáveis políticos ao nível mundial só despertam dentro das cimeiras e das conferências (para ficarem bem na fotografia) e, no tempo que decorre entre elas, esquecem essa coisa das alterações climáticas. Infelizmente as populações, de diversas partes do mundo, é que vão sofrendo os efeitos concretos que hoje já se fazem sentir das mudanças climáticas e das condições extremas que o clima vai atingindo, cada vez com mais regularidade.
Ainda não se percebeu que agir sobre as alterações climáticas não é dar machadadas à economia. Pelo contrário, é dar uma oportunidade para gerar economias mais sustentáveis, não dependentes dos combustíveis fósseis, mais autónomas do preço do petróleo, e gerar formas de mobilidade, designadamente nos grandes centros urbanos, que promovam mais qualidade de vida aos cidadãos, cidades e cidadãos mais saudáveis. Independentemente das alterações climáticas, esse não deveria até ser um objectivo do poder político?
Quando, na véspera da conferência de Copenhaga, Obama declarou publicamente que era quase impossível que se chegasse a um acordo vinculativo, estava tudo dito por parte dos EUA. Os EUA são o maior poluidor per capita do mundo, foram eles que se desvincularam do protocolo de Quioto e entenderam não dar qualquer contributo para o combate às alterações climáticas ao nível mundial. Entenderam-se no direito de poluir, mas não no dever de ser parte das soluções. Atitude egoísta, insensata e de declaração de guerra climática ao mundo!
Uns dias depois, já no decurso da conferência, os EUA apresentavam uma proposta de redução de gases com efeito de estufa em 17% até 2020. Era pouco, face à redução de 25% a 40% recomendada pelo IPCC (International Pannel of Climate Change). Mas menos se tornava ainda, quando os EUA anunciaram que o seu valor de referência era o ano de 2005 e não o ano de 1990. Ou seja, os outros propunham metas de redução com os valores de referência de 1990 (a U.E. propunha uma redução de 20% até 2020, o que também era aquém do necessário), mas os EUA, fazendo uma batota inqualificável, punham como valor de referência de poluição o ano de 2005 (onde, como se calcula, se poluía a níveis muito superiores a 1990). Isto significava na prática, uma proposta de redução de emissões de 3% face a 1990, se tomássemos a mesma bitola para todos. O mesmo é dizer que os EUA se propunham a contribuir nada, na prática, para o combate mundial ao aquecimento global.
Os EUA tinham aqui uma dupla responsabilidade. Primeiro, era a manifestação de vontade do maior poluidor per capita, a quem se exigia uma resposta adequada. Por outro lado, a sua posição arrastaria países e economias emergentes como a China e a Índia que, até então, estavam foram das metas do protocolo de Quioto, dado o seu estado de crescimento económico na altura.
No início da Conferência de Copenhaga a questão que se colocava era se teríamos ou não acordo vinculativo. No fim de Copenhaga, nem acordo vinculativo, nem metas definidas de redução de emissões, nem prazos estabelecidos para a definição definitiva dessas metas. Tudo na estaca zero. Tudo adiado para o ano de 2010.
O mundo anda farto destes chefes de Estado e de Governo que posam para as fotos descaradamente e que não agem para salvar o Planeta. O mundo anda farto destes sistemas capitalistas que só olham à salubridade das suas economias do ponto de vista dos lucros dos grandes grupos económicos e não do ponto de vista de sociedades sustentáveis que gerem qualidade de vida aos seus cidadãos. O mundo, esse, com esses cidadãos, vai sendo arrastado para situações climáticas extremas que podem a curto e médio prazo gerar índices de pobreza mais elevados, refugiados acrescidos e doenças hoje ainda não generalizadas.
Cabe-nos a todos exigir, a estes senhores, que tomem como objectivo salvar o Planeta!