Jornal "A Voz do Operário"
Uma guerra sem fim
| Jornal - Internacional |
Quando G.W. Bush “o de má memoria” anunciou o início dos bombardeamentos contra o Afeganistão avisou desde logo que esses eram apenas o princípio de um “longo processo”. Talvez tenha sido esta a única vez que falou verdade.
Decorridos mais de oito anos, assiste-se ao aumento da intensidade da guerra que já se alargou ao Paquistão e mantém sob mira outros países da região. O número de países e soldados que integram as forças de ocupação lideradas pelos EUA e a NATO é cada vez maior e violência não dá mostras de amainar. A “Operação Liberdade Duradoura” abateu-se sobre o povo afegão por tempo indeterminado, sob a forma de milhares de mortos, feridos e estropiados, uma devastação sem fim e sofrimentos incomensuráveis.
Obama insiste no “emBUSHte”. Repete que esta é uma guerra necessária para garantir a segurança dos norte-americanos de futuros ataques terroristas. Este continua a ser o discurso oficial, o que serve para justificar o injustificável e ocultar a real móbil para o crime que está a ser cometido contra o povo afegão e todos os povos da região.
A verdade é que esta guerra foi desencadeada pelos EUA e pela Grã-Bretanha, usando como pretexto um horroroso acontecimento – o 11 de Setembro de 2001 – para ocupar uma zona geo-estratégica vital para os seus interesses e afirmar a hegemonia planetária do imperialismo norte-americano.
Tanto assim é que o Afeganistão está finalmente transformado numa imensa base militar instalada junto às maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo, e já agora, no quintal da Rússia e da China. O conceito de liberdade e estabilidade norte-americana para o Afeganistão é o de apoiar fraudes eleitorais permitindo a instalação de um governo fantoche e corrupto pronto a servir apenas a sua causa. Só no ano passado, segundo agências internacionais, morreram três crianças afegãs por dia; as mulheres continuam a usar “burka”, sem que tal facto fira susceptibilidades ocidentais; Karzai lidera um dos países mais corruptos do mundo, ganhando ainda em matéria de score, o título de maior produtor de ópio do mundo. Entretanto os insubornáveis ocidentais ponderam pagar aos Talibãs arrependidos para que desistam da luta. Espantoso!
E a guerra é para continuar
Daqui a poucas horas assistiremos ao embarque de mais militares portugueses para o Afeganistão. Até finais de Fevereiro, Portugal terá 250 militares no terreno, integrando as forças de ocupação desse país. O governo português justifica este reforço com a necessidade de “resolver a questão afegã” e honrar os compromissos assumidos no quadro da NATO.
Ao tomar esta decisão o governo português revela o alinhamento e o servilismo que tem caracterizado a política externa portuguesa face aos interesses das estratégias das grandes potências europeias e dos EUA, em prejuízo dos interesses nacionais.
Compromete igual e seriamente a credibilidade e o respeito do nosso país ao meter na gaveta, e em toda a linha, o primado constitucional que estabelece que Portugal rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do respeito dos direitos do homem, dos direitos dos povos, da igualdade entre os Estados, da solução pacífica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos dos outros Estados e da cooperação com todos os outros povos para a emancipação e o progresso da humanidade.
PAZ Sim, NATO não!
No passado dia 23 nasceu a “Campanha Paz Sim Nato não!”, por iniciativa de um vasto conjunto de organizações que consideram que a cimeira da NATO, prevista para Portugal em Novembro, não é bem-vinda ao nosso País e que constituí mesmo, uma séria afronta ao povo português.
Apelam à participação massiva de todas as forças da sociedade portuguesa, para que se unam em torno de um movimento que exija a retirada das forças portuguesas das missões militares da NATO e o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional, bem como, reclame a dissolução da NATO.
A participação activa nesta campanha é a oportunidade de reclamarmos todos a uma só voz que o governo português aja, de uma vez por todas, de acordo com a vontade de Abril adoptando uma política activa de defesa do direito internacional, da soberania dos povos e da Paz.
E que rompa irreversivelmente com a NATO a que Salazar nos amarrou.
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