No dia 12 de Janeiro, o Haiti foi violentamente sacudido por um sismo de magnitude 7 na escala de Richter e, seis dias mais tarde, um novo abalo de terra de magnitude 6 da mesma escala foi sentido, lançando de novo o pânico entre as populações. No primeiro terramoto, mas de três milhões de pessoas foram afectadas, estimando-se as vítimas mortais entre 100 e 200 mil.
O primeiro sismo foi sentido em outros países das Caraíbas, como Cuba, e causou grandes danos na capital haitiana, Porto Príncipe. O palácio presidencial, o edifício do parlamento, a catedral Norte Dame, a principal prisão do país e todos os hospitais foram atingidos, alguns dos quais ficando completamente destruídos. A Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, localizada em Porto Príncipe desabou, o que custou a vida ao chefe da Missão, Hédi Annabi.
Para o Haiti seguiu um forte contigente de ajuda humanitária e equipas de resgate de diversos países, incluindo Portugal. Porém, os sistemas de comunicação, os transportes, a rede eléctrica e de água foram fortemente atingidos pelo terramoto dificultando a ajuda internacional. Quando tudo ainda estava praticamente por fazer, o Haiti é novamente sacudido, no dia 20 de Janeiro, num novo terramoto em que inclusive ficou ferido o reporter da RTP em serviço no país, Vitor Gonçalves.
Em 1804, o Haiti tornou-se a primeira República de escravos libertos, após estes terem derrotado as tropas francesas – o país era então uma colónia francesa – e declarado a independência. O mundo esclavagista de então, com destaque para os Estados Unidos, decretou um bloqueio comercial que perdurou por mais de 60 anos. Hoje, o país é o mais pobre do continente americano e é considerado “economicamente vulnerável” pela ONU. Para além dos recentes abalos de terra que sofreu, o Haiti foi atingido, em 2008 pela tempesatde tropical Fay que causou inúmeras inundações e pelo furacão Gustav.