Jornal "A Voz do Operário"
Criminalidade aumenta na AML
| Jornal - Área Metropolitana de Lisboa |
Os distritos de Lisboa e Setúbal registaram aumentos de criminalidade entre 2007 e 2008. Segundo o relatório anual de segurança interna relativo ao ano que passou, os dois distritos da Área Metropolitana de Lisboa (AML) a par dos do Porto, Aveiro, Faro e Braga continuam a dominar no que diz respeito ao maior número de ocorrências registadas.
Naqueles seis distritos foram participados em 2008, 72 por cento dos crimes registados em todo o País, regiões autónomas incluídas. Do total nacional, a AML registou 148.743 ocorrências, o que corresponde a mais de 44 por cento das verificadas no País. O distrito de Lisboa teve 110.211 ocorrências, o que equivale a um terço do total nacional.
O relatório elaborado pelo Minstério da Administração Interna dá nota de que a criminalidade cresceu entre os anos de 2007 e 2008. Naturalmente que a este crescimento não são alheias as consições socio-económicas do povo português, muito embora o Governo escamoteie este argumento, preferindo justificar, num mea culpa inábil, o aumento da criminalidade com as mudanças territoriais entre a GNR e a PSP. Os números, no entanto, falam por si: a criminalidade global cresceu 7,5 por cento e a violenta 10,7 por cento, resgistando o maior aumento da última década.
No distrito de Lisboa, a criminalidade aumentou 10,4 por cento face a 2007 e no de Setúbul subiu 3,2 por cento. Os assaltos violentos e o carjacking também cresceram, assim como, os casos participados de violência doméstica. Estes tiveram em média, no ano passado, 2.312 queixas mensais, o que equivale a uma média de 72 casos de violência doméstica reportados diariamente. Deles resultou a morte de dez pessoas.
De entre os crimes violentos contabilizaram-se em 2008, 230 assaltos a instituições bancárias contra 130 realizados em 2007. Também os assaltos a bombas de gasolina sofreram um forte crescimento passando de 241 casos em 2007 para 468 em 2008.
O carjacking, crime que se caracteriza pelo roubo de veículos com recurso a violência, teve um aumento de 22,5 por cento. Lisboa lidera a lista das cidades com maior incidência de carjackin, seguida do Porto e de Setúbal.
Também os assaltos a residências aumentaram muito. Em 2008, verificaram-se mais 7.330 furtos a residências, o que representa uma subida de 33 por cento.
Os homicídios também cresceram; 133 registados em 2007, 143 em 2008.
Faltam meios e estratégia
Os dados do relatório reportam-se a 2008, mas ao que tudo indica a criminalidade continua a crescer. Só nos primeiros dois meses de 2009, na região da Grande Lisboa, houve mais 22 por cento de detidos que em igual período do ano passado.
Para as associações sindicais das forças de segurança este aumento de criminalidade prende-se com a falta de estratégia de quem tutela a Segurança Interna e a crónica falta de meios ao dispor de polícias e guardas. Outros aspectos que segundo os agentes das forças policiais dificultam o seu trabalho têm que ver com a alteração ao Código Penal que deixam os criminosos “mais à vontade” e o encerramento e concentração dos meios que levou a que nalgumas zonas do País tenha diminuído a vigilância, o acompanhamento e a manutenção da segurança.
Todas as associações sindicais são unânimes em atribuir os níveis de criminalidade a “políticas de segurança interna erradas”, destacando de entre estas o abandono do policiamento de proximidade.
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