Jornal "A Voz do Operário"
Seixal reclama internamento
| Jornal - Área Metropolitana de Lisboa |
O Governo anunciou a construção de 12 novos hospitais até 2013. Destes cinco situam-se na Área Metropolitana de Lisboa, sendo que alguns há muitos anos que são reclamados como é o caso do de Loures prometido por PS e PSD em sucessivas campanhas eleitorais, mas sempre adiado. Também o novo hospital do Seixal se encontra no lote das novas unidades de saúde, embora a sua construção esteja atrasada e o projecto contemple apenas o tratamento em regime ambulatório, deixando de fora o internamento o que motivou o protesto das autarquias e um projecto de resolução do PCP que o PS, ainda na anterior legislatura, rejeitou.
Novos hospitais de Cascais e Vila Franca de Xira, hospital de Loures, do Seixal e Oriental de Lisboa (já designado como de Todos-os-Santos), são as cinco novas unidades de saúde, cuja construção foi anunciada pelo Governo de José Sócrates e que estariam concluídos dentro de três anos. Entretanto, e excepção feita ao hospital do Seixal todos os restantes vão ser construídos em regime de parceria público-privado, ou seja, resultam de contratos feitos por um prazo de 30 anos entre o Estado e apenas dois grupos económicos: o Mello Saúde e o Espírito Santo Saúde, deixando a porta aberta à privatização...
Reclamado há quase trinta anos, o hospital de Loures deverá entrar em funcionamento, segundo o Ministério da Saúde, ainda em 2012 e irá servir os concelhos de Loures, Odivelas, Sobral de Monte Agraço e algumas freguesias do concelho de Mafra. O equipamento terá capacidade para realizar três mil partos por ano, contará com 424 camas, oito salas de bloco operatório, prevendo-se uma actividade anual de 24 mil internamentos, 11.400 cirurgias, 126 mil urgências e 245 mil consultas externas.
O hospital de Todos-os-Santos deverá estar concluído, em 2013, e terá um custo de 380 milhões de euros. Com a sua entrada em funcionamento, o Governo pretende fechar um conjunto de unidades hospitalares da cidade de Lisboa. Um assunto polémico dado que ficarão sujeitas à nova unidade as populações dos bairros históricos da cidade, uma população regra geral idosa e com difculdades de deslocação.
“Conceito inovador”
Mais atrasado do que se previa, apenas em Janeiro deste ano foi publicado em Diário da República, o anúnico público internacional para a construção do hospital do Seixal. Nele refere-se que a nova unidade prevista para servir cerca de 400 mil habitantes dos concelhos do Seixal, Almada e Sesimbra “terá um conceito inovador, visando um dispositivo assistencial composto por processos terapêuticos e meios de diagnóstico que se afrimam como alternativas eficazes ao internamento”. “Será uma unidade de excelência direccionada para a prestação de cuidados de ambulatório”, explica-se.
Razão tinham pois as autarquias quando reclamaram para o hospital do Seixal a capacidade de internamento, o que levou mesmo o PCP a apresentar um projecto de resolução, na Assembleia da República, reclamando que a nova unidade fosse dotada de camas de internamento e de um serviço de atendimento para situações de urgência. Detentor de maioria absolua no Parlamento, o PS rejeitou o diploma dos comunistas que, no enatnto, mereceu o apoio de todas as restantes forças políticas.
Recorde-se que quando foi construído, o Hospital Garcia de Orta – único de que dispõem as populações daqueles concelhos da margem Sul do Tejo – foi previsto para uma população de aproximadamente 190 mil habitantes. Hoje, naqueles três concelhos vivem quase 400 mil pessoas, ou seja, mais do dobro.
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