O aumento do preço das portagens a pagar nas auto-estradas do Sul motivou um buzinão por parte dos utentes promovido pela Comissão de Utentes da Margem Sul que continua a exigir o fim do pagamento de portagens nos troços daquelas vias que servem a região.
Os únicos aumentos de portagens registados no ano de 2010 dizem respeito às duas auto-estradas que servem a Margem Sul do Tejo – A2 e A12. O acréscimo dos preços a pagar pelos utentes é mal entendido porquanto a Brisa, concessionária daquelas vias, registou lucros superiores a 12 milhões de euros nos nove primeiros meses de 2009. “Não acreditamos que estes dois pequenos troços – A2 entre Palmela e Nó de Setúbal e A12 entre Montijo e Pinhal Novo – necessitassem de ser aumentados quando não houve aumentos em mais nenhuma parte do País”, diz Manuel Lagarto que é dirigente da Federação das Cooperativas de Consumo (Fenacoop), uma das estruturas que integra a Comissão de Utentes da Margem Sul.
Também a Associação de Municípios de Setúbal considerou que os aumentos representam uma “penalização intolerável” para as populações da Margem Sul do Tejo e exigiu a sua revogação.
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Brisa alegou que o crescimento do preço a pagar pelos automobilistas resultou do contrato renegociado com o Governo em 2008, pelo que a concessionária “executa aquilo que está acertado no contrato de concessão, que está consagrado num decreto-lei”. Por seu turno, a Secretaria de Estado das Obras Públicas, citada pela Lusa, justificava o aumento nos dois sublanços da A2 e A12 com a “incorporação de novos quilómetros ao domínio da concessão ou outros ajustamentos” de que apenas é conhecido o alargamento em 600 metros do troço da A12.
Entretanto, no troço entre Palmela e o Nó de Setúbal, onde até agora não eram cobradas portagens, os utentes vão passar a pagar entre cinco cêntimos, caso dos veículos ligeiros (classe 1) e 20 cêntimos para os veículos da classe 4. No troço entre Montijo e Pinhal Novo, os veículos da classe 1 passam a pagar 85 cêntimos, o que corresponde a um aumento de cinco cêntimos, enquanto os veículos das classes 2 e 3 pagam mais dez cêntimos, respectivamente, 1,50 euros e 1,90 euros, e os veículos da classe 4 passam a pagar 2,15 euros, o que traduz um acréscimo de 15 cêntimos.
Manuel Lagarto considera que “não é compreensível que num distrito [de Setúbal] com diversos problemas sociais e económicos se pratiquem estes aumentos que penalizam e agravam a situação das pequenas e médias empresas e o transporte de mercadorias”.
A Comissão de Utentes mostrou-se supreendida com os aumentos, tendo em conta que há muito reivindica a abolição das portagens nos troços da A2 e A12 que servem a Península de Setúbal “pelos menos enquanto não haja vias alternativas”. “Actualmente, as populações apenas dispõem da estrada nacional 252 que liga o Montijo a Setúbal que é uma via complicada porque passa por grandes aglomerados urbanos”, refere Manuel Lagarto.