Com a chancela das Edições Avante! foi recentemente lançada uma edição comemorativa dos 50 anos de publicação do romance de Aquilino Ribeiro “Quando os Lobos Uivam”. O livro conta com prefácio de Álvaro Cunhal e ilustrações de João Abel Manta.
Nascido em 1885, em Carregal de Tabosa, concelho de Sernancelho, Aquilino deveria seguir a vida eclesiástica se o seu espírito curioso e irrequieto não tivesse conduzido à sua expulsão do seminário. Assim, o jovem beirão ruma a Lisboa onde cedo se envolve na conspiração contra a monarquia. Será a primeira de muitas outras acções conspirativas e revolucionárias em que, durante a juventude, participa, primeiro pelo derrube do regime monárquico, depois do regime fascista. Será, inclusivamente, a participação nessas acções que o vão levar ao exílio, nomeadamente a Paris, onde inicia a sua carreira literária.
Durante a Primeira República, Aquilino Ribeiro está em Portugal e trabalha como segundo bibliotecário na Biblioteca Nacional. Funda com Jaime Cortesão, António Sérgio, Raul Proença e outros a revista Seara Nova e dedica-se às letras e à cultura. A instauração da ditadura fascista leva-o novamente ao exílio para escapar da prisão e no estrangeiro continua a publicar.
Salazar deixa-o voltar a Portugal. Servia o escritor para “atenuar” a ferocidade do regime e chega a ser-lhe concedida a “honra” de ser membro da decrépita Academia de Ciências. Mas, em 1958, o revolucionário e democrata volta a afrontar o regime.
Escreve Álvaro Cunhal no prefácio: “As grandes lutas de 1958 tocaram fundo o velho escritor. O seu amor pelo povo fez-lhe sentir de novo a necessdiade de lutar a seu lado. Como o poderia fazer? Já não era o jovem que dera o seu pobre quarto para aí se fabricarem as armas da revolução, nem o conspirador entrando na preparação de acções insurrecionais. Tinha em compensação uma nova e poderosa arma que forjara ao longo de anos de trabalho incansável: a sua caneta de escritor, a sua 'enxada' como lhe chamava, o seu talento de escritor consagrado. Pela primeira vez na sua vida, pôs então abertamente essa arma ao serviço da luta popular. [...] Com a sua poderosa arma Aquilino intervém na luta e desfere um ataque certeiro contra a ordem fascista. Em Janeiro de 1959 publica o romance Quando os Lobos Uivam”.