Instalada desde 1975 na Calçada do Duque de Lafões, freguesia do Beato, Lisboa, a Associação Cultural Palco Oriental recebeu ordem de despejo do edifício em que se encontrava, o que levou a Assembleia Municipal de Lisboa a recomendar à Câmara Municipal que procure um espaço alternativo onde a Associação possa prosseguir com a sua actividade.
Um processo judicial que se arrastava desde 2001 e que foi ganho pelo Palco Oriental na primeira instância acabou, por via de recurso, a ser julgado pelo Supremo Tribunal de Justiça que, em acórdão, decidiu atribuir à Igreja de São Bartolomeu do Beato o edifício ocupado, há três décadas, pela Associação. Esta lançou, entretanto, uma petição online, para tentar manter o espaço, onde, diz, já gastou “largas dezenas de milhares de euros” em obras e melhoramentos.
O edifício da Calçada do Duque de Lafões era pertença da Associação de Assistência Social, que abandonou as instalações logo após o 25 de Abril de 1974, mas, em 1999, o doou à Igreja de São Bartolomeu do Beato.
Considerando que a Associação Cutural Palco Oriental tem procurado “ser uma referência viva na animação cultural da Zona Orfiental de Lisboa” - como espaço aberto às artes, nomeadamente ao teatro, música, dança e artes plásticas, bem como à formação artística e cultural -, a Assembleia Municipal de Lisboa reconheceu que o despejo da Associação levaria a que dezenas de pessoas se vissem privadas de dar continuidade “aos seus projectos artísticos e à livre expressão das suas vontades e ideais”.
Deste modo, aquele órgão autárquico recomendou à Câmara Municipal que, “em conjunto com o Palco Oriental, estude a viabilidade da sua instalação” num edifício situado na Rua do Açúcar, junto ao Palácio da Mitra, frente ao Teatro Meridional, “podendo desta forma criar um pólo cultural na Zona Oriental da Cidade” e, caso tal não seja possível, que indique um outro espaço onde a Associação Cultural Palco Oriental possa prosseguir com as suas actividades.