Urbano Tavares Rodrigues tem um novo livro - “Assim se Esvai a Vida” - que o próprio assume ser o mais autobiográfico da sua carreira. Aos 86 anos, o escritor que molda o tempo e faz das mulheres os seus personagens principais continua a publicar e a surpreender. A nova obra é descrita como três livros num só e compreeende a novela que dá título ao livro, um texto “um bocadinho inqualificável”, “O Cornetim Encarnado”, e os contos “De os Olhos do Demónio e Outros Contos”.
A sinopse que acompanha o livro que tem a chancela das Publicações D. Quixote refere que a novela “Assim se Esvai a Vida” é “uma sequência um tanto arbitrária de incidentes da resistência à ditadura salazarista em que personagens inventadas se mesclam com outras reais e onde as cenas eróticas, por vezes muito cruas, alternam com momentos poéticos, numa sarabanda original e inesperada. Avultam as intentonas para derrubar o regime e a luta nas trevas, a par das visões da vida cultural e da autêntica revolução sexual provocada, em certos meios, pelo aparecimento da pílula anticoncepcional”.
Numa entrevista recente, Urbano Tavares Rodrigues considera que “este é um livro muito pessoal” e que algumas personagens “têm pontos de contacto” consigo, enquanto outras inspiram-se em pessoas com quem se cruzou na vida como Augusto Abelaira – a personagem de Augusto Mozart – e Luís de Sttau Monteiro – a personagem de Pedro Ataíde.
Tavares Rodrigues reconhece igualmente que “O Cornetim Encarnado”, a segunda parte do livro que descreve como “um texto um bocadinho inqualificável”, se assemelha a uma espécia de diário. Nele há memórias avulsas, reflexões e poemas em que o autor “se expõe como nunca até hoje”. Nas palavras do escritor, a segunda parte do novo título é como que um legado que pretende que fique para o seu filho António de apenas quatro anos que diz: “irei deixar muito cedo”.
A terceira parte do livro, os contos, é descrita pela editora como “talvez os melhores de Urbano Tavares Rodrigues, pela beleza e arrojo da escrita, pelo insólito dos temas e até pelo apareciemtno de micronarrativas, novas na sua obra”.
Com mais de 80 títulos editados, grande parte dos quais traduzidos, Urbano Tavares Rodrigues é um dos mais profícuos autores portugueses. Descrito por alguns como “escritor do erotismo”, as suas obras repartem-se pela crónica, o romance, a novela, os contos, a poesia e o ensaio.
Professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa após o 25 de Abril, dado que fora impedido de leccionar durante a ditadura de Salazar e Caetano, preso por diversas vezes, militante comunista, Urbano Tavares Rodrigues é natural de Lisboa e passou a infância em Moura, o que também se reflecte na sua obra onde o Alentejo está muito presente.
Membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa (Secção de Letras) e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras, Urbano Tavares Rodrigues recebeu, entre outros, o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, o Prémio Imprensa Cultural, o Prémio Vida Literária atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores e o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco.