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Início - Jornal "A Voz do Operário" - Cultura - Temporada plena apesar dos cortes do Ministério

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Jornal - Cultura

O Teatro Municipal de Almada (TMA) sofreu um corte de 23 por cento no seu orçamento para 2011 devido ao corte de igual montante feito pelo Ministério da Cultura (MC) no apoio à produção. Joaquim Benite, director do TMA, que esta redução de verbas terá sobretudo “consequências negativas no mercado de trabalho”, mas não impede o TMA de promover uma temporada com a qualidade habitual.
No caso do TMA, o corte de 23 por cento dos financiamentos do MC terá como principal consequência a redução de contratos para novas produções com os profissionais liberias. “Naturalmente isto terá reflexos no aumento do desemprego. Hoje a indústria artística teatral envolve muita gente e muitos são os que exercem a sua actividade como profissionais liberais. Serão estes os mais penalizados com estas «medidas de poupança» do Ministério que acabam por não poupar nada porque o Estado terá de suportar os subsídios de desemprego”, diz Joaquim Benite.
Neste ano, o TMA irá receber 950 mil euros da Câmara Municipal de Almada para apoio à gestão e à produção de espectáculos e apenas 650 mil euros do Ministério da Cultura que servem para o funcionamento da Companhia de Teatro de Almada e do Festival Internacional de Teatro de Almada. “Naturalmente também temos receitas próprias e é justo destacar o grupo de empresas Esferas que nos dá um apoio significativo. Claro que o corte de verbas afecta a actividade da Companhia e o Festival, mas no caso destes temos os patrocinadores e as parcerias que estabelecemos, em concreto, com outros teatros do País. Mas 150 mil euros a menos no nosso orçamento afectam a nossa actividade”, refere o director do TMA, adiantando que “estava previsto produzir o «Timão de Atenas», de Shakespeare, no início do ano e a produção foi transferida para o final do ano para que possa ser paga com o orçamento de 2012”.


Aposta na qualidade

Sendo o TMA um projecto de descentralização cultural dos de maior sucesso no País, as temporadas são definidas tendo em conta essencialmente a qualidade. Teatro, evidentemente, mas também música, dança, ópera e exposições são acolhidos no Teatro Municipal de Almada uma das melhores salas de espectáculos portuguesas.
A temporada de 2011 não foge à regra e inicou-se com a peça Marzïa, encenada por José Martins e escrita por Karin Serres. “Falar verdade a mentir”, de Almeida Garrett, com encenação de Rodrigo Francisco, é a peça que se segue e que estará em cena nos dias 16, de 22 a 26 de Fevereiro e nos dias 1 e 2 de Março. Um espectáculo para a comunidade escolar e para o público em geral.
Neste primeiro trimestre surge mais um trabalho de Teresa Gafeira dirigido ao público infantil. Trata-se de “Verdi que te quero Verdi”, a partir de Giuseppe Vrdi que estará no palco, entre 5 e 20 de Março.
Nos âmbito das parcerias, a Companhia de Teatro de Braga traz ao TMA “A cabeça de Baptista”, um texto de Ramón del Valle-Inclán com encenação de Manuel Guede Oliva. É no dia 4 de Março, às 21 horas.
De 9 a 13 de Março, Joana Brandão leva ao TMA o espectáculo “Caminhos”, cujo texto escreveu a partir da obra de Truman Capote “Nos caminhos do paraíso”. Entre 18 e 20 de Março, é a vez do Grupo de Teatro Terapêutico do Hospital Júlio de Matos estar em Almada para representar “Limiar”, uma peça redigida porJ oão Silva (que também encenou o espectáculo), a partir de discussões e conversas livres e criativas entre os membros do Grupo de Teatro.
A Música marca presença no TMA no dia 6 de Março com um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida pelo maestro Michael Zilm, que interpretará obras de Schumann e Stravinsky. No dia 20 do mesmo mês, o Teatro Nacional de São Carlos vai a Almada para mostrar a ópera que se ouvia na sua sala, entre 1793 e 1828.
Quanto à dança, neste primeiro trimestre do ano, há duas propostas. “Electra, um solo de Olga Roriz” com encenação e interpretação da própria Olga Roriz estará em palco no dia 19 de Fevereiro. No dia 25 de Fevereiro é a vez de “Das coisas nascem Coisas” uma coreografia de Cláudia Dias, numa produção de Os Três Caracóis.