Este é um mês de férias e também de enormes responsabilidades individuais e colectivas.
Atravessámos e atravessamos anos difíceis, de destruição de direitos humanos, no trabalho, na saúde, na educação, no acesso à habitação, à cultura, a uma vida com dignidade e futuro.
Instabilizaram o emprego, destruíram a actividade produtiva nas áreas da indústria, da agricultura e das pescas. Fizeram de Portugal um país dependente daquilo que os outros produzem. Importamos mais de 80% do que consumimos. Uma questão estratégica como o cereal, de que éramos grandes produtores, é hoje sensível em demasia. Se houvesse um acontecimento brutal, que nos isolasse do mundo, as reservas seriam suficientes apenas para alguns dias… Pelo menos essa a observação que é feita por especialistas. Então, é preciso olhar de novo a sério para áreas de trabalho como a agricultura, tirando do limbo a questão do investimento político, humano e financeiro para propiciar novos desenvolvimentos num sector que nos é querido e que faz parte indissolúvel da nossa história e economia.
Na indústria, destruíram e fecharam fábricas, perdendo-se assim um capital enorme de experiências, de dedicação e de criatividade de sectores importantes da classe operária. Este jornal e A Voz do Operário nasceram dessas dinâmicas históricas de sacrifício, de entrega e de luta. Por isso aí estamos, como sempre estivemos, ao lado dos trabalhadores, dos sindicatos, da vida associativa e popular, da prática desportiva para todos, da educação e da cultura como motores essenciais de desenvolvimento humano, de criação de igualdade, de liberdade e fraternidade entre os homens e as mulheres que trabalham e se afirmam na luta por uma vida melhor, pela transformação do país e do mundo no sentido da justiça social e do fim da exploração do homem pelo homem.
Setembro e Outubro vão ser meses de grandes atitudes e decisões, em cada ser humano, a níveis individual e colectivo. Então, valerá a pena olhar a sério para tudo o
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que tem acontecido nos últimos anos, para as políticas e opções de governos centrais e dos poderes locais que conhecemos. E, assim, cada de nós fica com a responsabilidade enorme de optar pelo futuro, por outra vida mais digna e afirmativa dos direitos ao trabalho com dignidade, a condições de vida libertadoras das potencialidades enormes de cada ser humano. Ou, então, não intervir, calar de novo o que tem dentro de si em revolta, em ambição de mudar a nossa existência de forma decisiva.
As eleições legislativas e autárquicas estão aí à porta. Sabemos bem o que sofreram e lutaram os fundadores deste jornal e desta grande casa que é A Voz do Operário. Poderíamos depreender facilmente onde votariam, quem gostariam de ver na Assembleia da República, na formação de um governo digno de Portugal e de quem sofre e anseia por uma vida melhor, e num poder local mais democrático e adequado a esse acontecimento enorme que foi o 25 de Abril em Lisboa.
Como vai optar cada um de nós, isso cabe exactamente ao nosso foro íntimo, pessoal e colectivo. O voto, aquele momento em que nos encontramos sós, perante o papel e a cruz que faremos, significa uma enorme responsabilidade com efeitos positivos ou negativos durante quatro anos, e, em tantos casos, muitos mais anos de mandatos.
Por isso, caro associado, caro trabalhador e amigo de A Voz do Operário, caro jovem, desempregado ou reformado, homem ou mulher de Abril, olhe bem para dentro de si próprio e para o que foi feito dos nossos sonhos de liberdade e de justiça social, a nível do país e dos governos e desgovernos que tivemos e temos; olhe bem para esta cidade farta de promessas adiadas e com um município cheio de dívidas e sem objectivos claros a favor da população mais desfavorecida, dos mais jovens, muitos dos quais se vêm sem emprego e sem casa em Lisboa, dos trabalhadores e dos habitantes dos bairros e das freguesias, isolados e sem qualidade de vida, e saiba determinar como vai fazer, como vai assumir cada acto cívico, em Setembro e em Outubro, de modo a que o dignifiquem e o façam sentir em bem consigo próprio, com aqueles que ama, com o país e com a cidade de que gosta e que quer ver avançar a favor da maioria e de desígnios e projectos ambiciosos, justos e com futuro popular e transformador em cada zona da cidade e no município.
Boas férias, se acaso as tiver, e boa reflexão para preparar Agosto e Setembro. E não se esqueça de participar no esclarecimento e na mobilização de vontades e de atitudes de mudança e de justiça, que este país e esta cidade bem precisam de gente interventiva e libertadora.