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Início - Jornal "A Voz do Operário" - A Palavra do Presidente - O 25 de Abril e o 1.º de Maio

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postheadericon O 25 de Abril e o 1.º de Maio

Jornal - A Palavra do Presidente

Comemoramos neste período a passagem do 36.º aniversário da revolução dos cravos que, em 25 de Abril de 1974, restituiu ao Povo Português a Democracia e a Liberdade e apontou os caminhos do progresso e do desenvolvimento, bem como os 120 anos da consagração do 1.º de Maio como Dia Internacional do Trabalhador, na sequência das grandes greves e acções de massas do operariado norte-americano pela redução da jornada de trabalho.
A comemoração do 25 de Abril não se circunscreve apenas à evocação de uma data que prezamos, e ao lembrar daqueles que a sonharam e concretizaram, mesmo com o sacrifício da própria vida, mas consiste igualmente em transmitir a sua importância aos que por serem na altura muito jovens, ou nem sequer ainda terem nascido, a não viveram mas acabaram por dela desfrutar, em liberdade e pleno uso dos seus direitos.
Com o 1.º de Maio, celebramos a luta dos trabalhadores de todo o mundo, não só pela redução da jornada de trabalho, mas igualmente pelo direito ao trabalho e à segurança no emprego, pelo direito à liberdade de organização e de manifestação, pelos direitos à greve e à negociação colectiva.
Em Portugal, o 25 de Abril e o 1.º de Maio estão profundamente ligados. A luta dos trabalhadores, foi um factor determinante para o derrube do fascismo alcançado em 25 de Abril de 1974, tendo as comemorações do 1.º de Maio, realizadas uma semana depois, com a participação não apenas dos trabalhadores, mas de todo o povo português, inundado as ruas do País e constituído um grandioso e original sufrágio, que contribuiu de forma decisiva para a consagração do 25 de Abril como um processo revolucionário.
Não obstante os avanços obtidos, não foram ainda integralmente alcançados os objectivos dos trabalhadores e do povo, porque os interesses que o 25 de Abril combateu, continuam em boa parte instalados, apesar da persistente luta e resistência do povo português, pela manutenção e reforço das muitas conquistas então alcançadas.
A política de direita levada a cabo nas últimas três décadas, concretizou-se numa governação posta ao serviço de interesses restritos, em detrimento das justas aspirações da população e do desenvolvimento do País. A situação de Portugal agravou-se significativamente, com o desemprego a atingir números inimagináveis, a pobreza e a exclusão social a aumentar de forma acentuada e os serviços públicos, como a saúde, a degradarem-se continuamente. Em resumo, aumentou a exploração e a apropriação indevida de meia dúzia de privilegiados e agravou-se muito significativamente a vida de milhões de portugueses.
Vem agora o governo, com o seu chamado Programa de Estabilidade e Crescimento, mais uma vez a pedir sacrifícios aos trabalhadores, ao povo em geral, para que uns tantos se possam cada vez mais apropriar do rendimento alheio. Trata-se, de facto, de um plano de instabilidade e retrocesso.
Com a crise do capitalismo, até houve alguns que, apesar de profundamente comprometidos com as políticas seguidas, barafustaram contra o neo-liberalismo, contra os offshores, mas rapidamente esqueceram tudo o que disseram, e aí estão as novas medidas propostas, que não beliscam minimamente os tais interesses e agravam significativamente a vida dos portugueses, designadamente com o corte nos apoios sociais, a redução dos salários, a desregulação e precarização do trabalho e o aumento do número de horas trabalhadas sem compensação remuneratória. Ao mesmo tempo, a banca e outras empresas do grande capital continuam a alcançar lucros fabulosos.
Os trabalhadores e o povo saberão dar a devida resposta a esta política. Como os factos vêm demonstrando, o capitalismo não é o fim da história. O prosseguimento da luta é o único caminho para a transformação da sociedade. Apesar das dificuldades que atravessamos, o 25 de Abril e o 1.º de Maio são bons exemplos de que valeu e vale a pena lutar.