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postheadericon Afinal a culpa é do povo

Jornal - A Palavra do Presidente
O despudor da direita e do grande capital nunca foi tão longe, tentando-nos fazer crer que a crise que atravessamos se deveu ao povo ter andado a viver acima das suas possibilidades e não à política de direita que desde há 35 anos tem vindo a ser concretizada pelos sucessivos governos PS/PSD/CDS. Assim, propõem-se prosseguir no mesmo rumo de ruína, insistindo e aprofundando a política neoliberal, impondo um conjunto de medidas que apresentam como inevitáveis, mas que não só agravarão, e muito, a situação do país, como irão traduzir-se em sacrifícios insuportáveis para o povo.
Até parece que as malfeitorias, incluindo a destruição do aparelho produtivo nacional, foram culpa dos trabalhadores. Mas não, foi a política seguida, de total submissão aos ditamos do grande capital nacional e europeu, que nos trouxe até aqui. Fomos o “bom aluno”, como gostava de referir Cavaco Silva.
E assim que se destruiu a nossa pesca (apesar de sermos o país com maior área de águas territoriais na Europa). Os grandes armadores até receberam chorudos subsídios, não para investir na modernização da frota mas para se desfazerem dela.
Assim se desmantelou a nossa indústria pesada e posteriormente se permitiu grande especulação imobiliária nos respectivos terrenos, como foi o caso da Sorefame.
Na agricultura o cenário foi o mesmo, primeiro com o ataque e asfixia da Reforma Agrária, depois, subsidiando o abandono da produção e o arranque de espécies, levando a que hoje estejamos numa situação de gravíssima dependência alimentar.
A par desta política de destruição do aparelho produtivo, fez-se um sistemático ataque ao Estado e à coisa pública, retirando-lhe competências, privatizando os seus lucros e arcando com os prejuízos.
As ruinosas parcerias publico-privadas são um bom exemplo desta política, de esvaziamento dos cofres públicos com a transferência de verbas incomensuráveis para o grande capital. Os milhares de milhões dispendidos no BPN e o que aí vem através das verbas da troika destinadas à banca, são outros exemplos do esbanjamento de verbas públicas em proveito do capital financeiro.
Pois é, para os teóricos do neo-liberalismo a política até era muito boa, o nosso povo, pelos vistos, é que não a soube merecer.
Até parece que o crescente agravamento do défice que efectivamente importa, o défice comercial, não é culpa da destruição do aparelho produtivo e consequente aumento das importações. Não, a culpa, segundo eles, é do nosso povo, que quis ter o “luxo” de uma vida com um mínimo de dignidade. Grande ousadia. O que vale é que temos o grande capital e os seus lacaios para pôr o povo na ordem. Estava a trabalhar pouco e a ganhar muito.
Vai daí, há que impor novas medidas para atingir os infractores, ou seja, há que castigar os trabalhadores, os de ontem (os reformados) e os de hoje (os que estão no activo e os desempregados).
Toca de lhes retirar parte substancial do vencimento e da reforma, vai de lhes aumentar o horário de trabalho sem qualquer retribuição, para ajudar o capital, pois claro. Sim porque tal não se destina a melhorar a economia, como pretendem fazer crer. Basta ver que prevêem uma contracção económica como não se via desde o tempo do fascismo.
Tudo embrulhado em conjunto com o aumento da precariedade e o embaratecimento dos despedimentos, associado ao brutal aumento dos preços de bens essenciais e à diminuição dos apoios sociais.
Reafirmam que esta política é inevitável e que os sacrifícios são para todos, tentando com isso a nossa resignação. Mas sabemos que assim não é. O grande capital continua a usufruir de um conjunto de benesses, designadamente fiscais, que fazem com que estas medidas não só não o atinjam, como o tornem no único beneficiário.
Mas sabemos que outra política é possível, que passa pela não submissão e pelo desenvolvimento económico e é por isso que os trabalhadores irão dar a devida resposta, desde logo com a participação maciça na greve geral do próximo de 24.
***
Uma nota final para indicar que a Voz do Operário recebeu da Câmara Municipal de Lisboa os valores em dívida, com o que se regularizaram os vencimentos dos trabalhadores e se atenuou significativamente o atraso nos pagamentos aos fornecedores.
Estamos a preparar o Plano de Actividades e o Orçamento para 2012, o qual iremos submeter aos sócios na Assembleia Geral a realizar no próximo dia 16 de Novembro.