Jornal "A Voz do Operário"
Ser diferente
| Jornal - Opinião |
Cheguei a casa… Arrastei o corpo cansado e imundo até ao sofá… Minha mãe veio falar comigo. Disse-me que tinha estado a conversar ao telefone e, por razões ainda desconhecidas, uma história, decorrida há mais de 30 anos, deixou-a impressionada. Começou a contar-ma…
Era Lisboa… Era a Graça… Tal como nos dias de hoje, as sociedades estão claramente acentuadas por grandes desigualdades económicas.
Ora, certo final de dia, quando o salão se preparava para fechar as portas, uma senhora, muito alvoraçada, entra no cabeleireiro. Apenas levava as asas da mala na mão. Tinha sido roubada! Era uma senhora pobre que vivia de uma parca reforma… Contudo, naquela “confusão”, ainda proferiu umas palavras, com as quais demonstrou o seu valor emocional. Disse: “Eu fui assaltada por um delinquente. Sinceramente, até estou com pena do ladrão. Porque ladrão, aquele homem sê-lo-á para sempre e não conseguirá mudar o rumo à vida, será incapaz de trabalhar, de ter uma família, de ter um emprego e uma casa… Eu apenas fiquei sem o dinheiro deste mês.”
Esta senhora era uma habitual cliente da minha tia Luzia, que era cabeleireira e que escutou fabulosas histórias de imensa gente.
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