Jornal "A Voz do Operário"
Desemprego
| Jornal - Editorial |
Embora a actual situação económico-financeira seja propícia a gerar situações de desemprego nas diferentes faixas etárias, ficar desempregado depois dos quarenta anos constitui hoje uma barreira particularmente difícil de superar.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, actualmente o número de desempregados com idades superiores a 35 anos já ronda os 15%, nos elevados números associados ao desemprego em Portugal.
Assim, situações de desemprego tendencialmente críticas para os jovens, pela ausência de experiência profissional, pela indiferenciação da sua formação, etc., estão a ser generalizadas a profissionais especializados e com uma experiência profissional robusta.
Sob o pretexto de redução de estruturas organizacionais, redução de custos, passagem de áreas técnicas para outsourcing ou trabalho temporário, o know-how técnico das empresas está a ser dispensado, perdendo-se de forma irrecuperável.
Creio que se tratam de medidas projectadas numa lógica de imediato e curto prazo, que não contemplam o seu impacto no médio ou longo prazo. Naturalmente, haverão funções e actividades cujos conhecimentos são relativamente fáceis de transmitir, mas é indiscutível que se assiste a uma perda da qualidade nos mais diferentes serviços prestados, nos mais diversos sectores de actividade.
Neste sentido, creio que cabe também aos profissionais mais jovens, não obstante o seu mérito e/ou potencial de desenvolvimento, a modéstia e a vontade de aprender e apreender especificidades que só a experiência consolidada de vários anos permite adquirir, valorizando-se o conhecimento, a experiência profissional e a dignidade dos profissionais com uma idade superior.
Que ridículos são aqueles que colocam rótulos (mais de 35 anos!) e têm a soberba de desvalorizar o contributo dos outros, perspectivando antiquadamente as organizações como máquinas e operações em cadeia, teorias ultrapassadas há várias décadas!
É assustador pensar que o desemprego é algo que pode acontecer a qualquer um, em qualquer altura da vida, independentemente do desempenho profissional… e nas consequências desastrosas que tal acarreta, nomeadamente a destruição do ser humano enquanto pessoa. Onde está o direito ao trabalho e a igualdade de oportunidades?
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