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INSCRIÇÕES ABERTAS 2012 / 2013

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Jornal - Editorial

Diz a definição que existem vários grupos de sem abrigo... Sem abrigo (pessoas que vivem na rua), sem alojamento (vivem em lares de alojamento provisórios), em habitação precária (em habitação temporária / precária, nomeadamente em casa de conhecidos, sem arrendamento, ocupação ilegal) e em habitação inadequada (vivem em estruturas provisórias inadequadas às normas sociais).
E não obstante as definições serem várias, as estatísticas referentes a este problema social são parcas e obsoletas.
Constam nos últimos dados que datam de 2006, e são restritos à zona de Lisboa e ao trabalho de uma organização não governamental em concreto, que esta população se caracteriza por: pessoas desempregadas, (89%), com formação profissional (28%), com familiares vivos (92%), sem médico de família (39%), maioritariamente do sexo masculino (79%) e de nacionalidade portuguesa (64%). E contrariamente ao que na grande maioria das vezes se supõe somente 7% são portadores do vírus HIV ou 28% consumidores de substâncias activas tóxicas. Em termos evolutivos é expectável um agravamento do número total de pessoas nesta situação, tendo-se verificado um aumento de pessoas do sexo feminino e da população imigrante.
E porque é esta a perspectiva futura? Segundo estudos, o incremento destes números está sobretudo associado a dois grandes factores: o aumento do custo de vida e o desemprego. Mais, não se perspectiva que se tratem de situações temporárias, porque a reintegração no mercado de trabalho e na sociedade é algo extremamente difícil.
Assim, trata-se indiscutivelmente de um problema social grave e com tendência a sofrer um incremento com a progressiva degradação da qualidade vida, nomeadamente no que respeita ao emprego. Existe quem lhe chame “realidade invisível” e de facto é um flagelo bem visível nas ruas de Lisboa, do Porto, etc., mas que parece ser ignorado por completo em termos de políticas de intervenção. Com tão pouco poderia ser dado um real suporte a estas situações, por exemplo, proporcionalmente ao que é gasto nas campanhas eleitorais que até no interior de cemitérios exibem cartazes...
É então crucial tomarem-se medidas reais, visíveis e que não se limitem a uma pseudo ajuda na noite de Natal. Prevenir, intervir, acompanhar e reintegrar são acções imperativas.