“Oriunda do latim a palavra crise tem o mesmo sentido da palavra vento.” Ou seja, representa um estádio de alternância e de mudança, onde não existe possibilidade de retorno aos antigos padrões.
Também na perspectiva da psicologia social, crise pode ser definida como uma etapa de perda ou de substituições rápidas, que põem em causa o estado de equilíbrio.
E embora qualquer uma das definições indicie a existência de um momento específico e delimitado no tempo, a utilização deste termo durante o ano de 2009 tornou-se abusiva e pretexto sistemático. Tornou-se a sustentação para justificar todas e quaisquer medidas e o subterfúgio para adiar aquelas que deviam ser tomadas.
No ano de 2010 que agora se inicia a percentagem de utilização não se avizinha inferior, pelo que devemos estar atentos ao verdadeiro significado e ao contexto em que tal expressão é utilizada. Creio que não será pretensão prever que sob o pretexto da continuada crise o apoio escasseará…
E embora “crise” não seja a tradução do que é apregoado, por sua vez as consequências poder-se-ão descrever como penalizadoras e danosas no quotidiano de cada um.
Vendo além das dificuldades, e com a força exigida para se enfrentar o futuro, importa no entanto estarmos atentos aos alertas que a dita palavra representa. Os números do desemprego continuam assustadores, o apoio do Estado às famílias e aos reformados tende a diminuir, o apoio à saúde e à educação a tornarem inexistentes, os juros dos empréstimos bancários a subirem exponencialmente…
Mas as dificuldades incentivam a luta e, embora, 2010 não seja certamente um ano fácil ou de grande abundância, que não nos escasseie a perspicácia e o discernimento perante as situações, nem a verdadeira oposição no Parlamento.