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"Assumo-me como uma pessoa de esquerda" |
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Escrito por Ana Goulart
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Quarta, 05 Março 2008 |
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Tem um novo disco resultado de cinco espectáculos realizados no Teatro Maria Matos. Com mais de 35 anos de carreira, Sérgio Godinho continua a ser um caso ímpar no panorama musical português, o qual, entende, poderia estar muito melhor, não pelo que por cá se faz, mas por aquilo que se divulga. Por entre o que escreve e canta, arranjou tempo para voltar a pisar o palco como actor. “Às Nove e Meia no Maria Matos”, assim se chama o novo cd de Sérgio Godinho editado com as chancelas da Universal e da Emi que no final de Janeiro foi posto à venda. Trata-se do (re)visitar de velhas e novas canções e, segundo o próprio, “é um testemunho do momento que tem estado a construir [com a sua banda Os Assessores] nos palcos, onde se misturam canções sem ordem de preferência cronológica, onde se misturam universos”. “Eu ataco géneros híbridos, temas que são muito diversificados, desde os que são mais íntimos aos que são mais sociais”, afirma Sérgio Godinho. Daí que no novo trabalho se encontrem temas como “O Primeiro Dia”, “Liberdade” [a paz, o pão, habitação, a saúde, educação”], mas também “Às Vezes o Amor” e “Com Um Brilhozinho nos Olhos”. Não é o primeiro disco que Sérgio grava ao vivo e alguns dos temas têm novos arranjos. “Porque, às vezes, há canções que não sei porque razão ficam sempre um bocadinho para trás e depois quando são revigoradas elas são tão satisfatórias como outras. Acho até que são boas mas deixo isso à apreciação dos outros, embora eu ache que o são caso contrário não as cantava”. Entre os 18 temas figura como um dos mais aplaudidos “O Primeiro Dia” que, segundo o cantautor, “foi uma canção que deu certo. Há canções que, por uma razão ou outra, perduram. No caso de “O Primeiro Dia” é uma canção que exprime cinco tempos de uma mudança na vida, desse caminhar permanente que se faz... Uns mais que outros”. Mudanças na vida também teve algumas, mas Sérgio diz que é “mais de transformações”. Não de “rupturas radicais” porque considera que “o universo é cheio de interacções”. E é nessas interacções, em situações reais, num livro de ficção ou num ensaio, num conceito ou numa conversa ouvida no café que bebe a inspiração para as mais de 350 canções que já cantou. “Depois tudo isso é transformado pela minha imaginação”. Muitas das canções de Sérgio Godinho contam estórias - aliás, já se definiu a si próprio como um “contador de canções” - porém muitas das vezes quando as começa não sabe como vão terminar. “Narrativamente estabelece-se uma situação de partida e depois um caminho. Mas há canções que não levam a parte nenhum, são apenas frescos como “Lisboa que Amanhece”.
No palco... como actor Em 2006, Sérgio Godinho editou um disco de originais, o “Ligação Directa”. Para já não sabe se “ainda este ano” terá um novo cd de originais, até porque: “muitas vezes sou desviado para outras coisas”. É o caso do teatro. Foi como actor que pisou pela primeira vez um palco e o “bicho” falou mais forte quando Jorge Silva Melo lhe dirigiu o convite para fazer uma peça de teatro da autoria do jovem dramaturgo José Maria Vieira Mendes, para os Artistas Unidos. “Foi um daqueles convites irrecusáveis e também a vontade de praticar esse acto de estar no palco de outra maneira, porque no fim de contas a minha formação é de actor e tenho uma certa nostalgia de pisar o palco como tal. Já há muito tempo que não aceitava alguma coisa e ainda por cima é um trabalho de equipa. Não é nenhum solo em que eu serei a estrela absoluta”, conta Sérgio. É, no entanto, a música a sua “escolha”. Sem nunca facilitar, Sérgio tem conseguido viver dessa escolha, embora “não tenha uma grande piscina”. “Mas não me queixo, acho que entroso bem com a minha realidade, mesmo com as dificuldades que existem”. Depois há o chamado “carinho do público”. “Há pessoas que vêm ter comigo e que me dizem coisas extremamente tocantes em relação ao que as minhas canções, em determinado momento, fizeram à sua vida”. E embora diga que consegue ser irónico consigo próprio e não se leve demasiado a sério confessa que “há coisas” que leva “demasiado a sério”. Quanto à música que por cá se faz, Sérgio assegura que, em quase todos os géneros, continuam a surgir propostas muito boas. O senão reside na divulgação e aqui torna-se crítico sobretudo em relação às rádios e televisões e à falta de apoios. “Portugal é muito insuficiente nesse aspecto, como noutros. É insuficiente a nível de mecenato, de estímulo aos patrocínios, estímulos oficiais, no sentido fiscal”. Assumindo-se como uma pessoa de esquerda, recusa, no entanto, o conceito de “canção de intervenção”. “Assumo-me perfeita e absolutamente como uma pessoa de esquerda. Assumo perfeitamente opções ideológicas, embora nunca tenha pertencido a nenhum partido. Mas não sei o que é a canção de intervenção”. Por isso diz que o que não perdeu sentido nenhum são “as preocupações sociais e a sua tradução em canção”. “Há maneiras de falar do exterior, das contradições da sociedade que podem ser múltiplas”, assegura Sérgio Godinho.
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Muitas iniciativas em ano de aniversário |
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Escrito por Ana Goulart
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Quarta, 05 Março 2008 |
Um vasto programa de iniciativas vai assinalar a passagem do 125.º aniversário de A Voz do Operário. Desde logo, a sessão solene marcada para as 19h30 do dia 13 de Fevereiro, em que participarão as crianças das escolas de A Voz , cantando o hino da Instituição. Seguir-se-ão algumas curtas intervenções pelo presidente da Assembleia geral, Arménio Carlos, o presidente da Direcção, António Modesto Navarro, o presidente da Comissão de Honra, o representante da Fundação Calouste Gulbenkian – entidade homenageada neste aniversário – e o professor universitário João Arsénio Nunes que falará da vida e obra da Instituição. Neste mesmo dia, os alunos, professores e trabalhadores de A Voz do Operário estarão na Baixa de Lisboa a vender o jornal e a convidar a população para participar na comemoração do aniversário. No sábado, dia 16 de Fevereiro, haverá um jantar de convívio e solidariedade, para o qual se encontram abertas as inscrições através do telefone 21 886 21 55, e a seguir ao qual será apresentada uma pequena peça alusiva à Voz e representada pelos alunos do 3.º ciclo e um espectáculo musical a cargo da Tuna Académica de Lisboa. No dia 8 de Março, a Voz do Operário acolhe a Grande Gala do Fado, um espectáculo que conta com a colaboração da Associação dos Amigos do Fado e da Verdade e, no dia 10 de Abril, será inaugurada a exposição-venda de artes plásticas que conta com várias obras doadas por artistas e se insere também na campanha “Solidariedade com A Voz do Operário”. O programa da comemorações, que vai decorrer entre Fevereiro deste ano e Fevereiro de 2009, conta ainda, em Maio, com um Festival de Tango e a estreia da peça “Omnisciências” do dramaturgo canadiano Tim Carlsom, pelo Teatro Aberto/Novo Grupo. O texto fala do cerceamento das liberdades dos cidadãos em época de globalização. Em Junho, o Fórum Lisboa será palco de um espectáculo para os mais novos em que vão participar José Barata-Moura, Carlos Alberto Moniz, Carlos Alberto Vidal e os alunos da Voz do Operário. Ainda neste mês, no dia 1 – Dia Internacional da Criança – terá lugar um pique-nique aberto a alunos, pais e trabalhadores de A Voz do Operário. Para assinalar os 125 anos da Instituição estão a ser produzidas mascotes, inspiradas nos bonecos do designer Paulo Simões e serão publicadas em livro as crónicas que Eugénia Cunhal assina mensalmente no jornal, assim como, uma história ilustrada de A Voz do Operário, concebida e realizada pelos seus alunos. Um espectáculo alusivo ao fado e à história do movimento operário e outro com um artista de renome também estão em preparação, assim como, um jantar que pretende reunir antigos alunos de A Voz do Operário e para o qual estão igualmente abertas as inscrições. |
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Estado fica com 85% do preço de um maço de cigarros |
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Escrito por Ana Goulart
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Quarta, 05 Março 2008 |
Quando há cerca de 200 anos se começou a produzir tabaco para fumar em Portugal, as condições laborais eram muito piores que actualmente. A evolução tecnológica acabou por trazer benefícios também para os trabalhadores da indústria tabaqueira que, naturalmente, virão as suas condições de trabalho melhoradas, bem como, os salários. Fernando Rodrigues trabalha na Tabaqueira há 25 anos e garante que não serão as leis anti-tabágicas a pô-la em risco. Já o preço do tabaco... |
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