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“Nestes últimos anos temos assistido a uma criminalidade mais violenta, mais organizada e, sobretudo, mais sofisticada”. A afirmação é de Nelson Brito, dirigente da Associação Sócio-Profissional da Polícia (ASPP). O agente assegura que, no entanto, a pequena criminalidade está a regredir e que continuam a faltar meios para que as forças policiais possam assegurar as suas funções. Nelson Brito atribui à abolição de fronteiras, às falhas na partilha de informações nacionais e trans-nacionais, às dificuldades na coordenação e cooperação entre os serviços de segurança portugueses o facto de a criminalidade violenta estar a aumentar. Mas não só. O dirigente da ASPP considera que também “a falta de emprego, as deficientes políticas sociais e de reinserção social, a real desvalorização da educação/formação, as políticas economicistas têm levado a alterações significativas na sociedade actual, contribuindo para um aumento gradual do crime mais organizado e mais sofisticado, contrastando, infelizmente, com a falta de meios, de equipamentos e, acima de tudo, com uma política equilibrada nas questões sócio-profissionais e laborais da PSP”. Pelo contrário, assiste-se a uma diminuição da pequena criminalidade o que decorre em grande parte da comum utilização do “dinheiro virtual” (cartão multibanco), da vídeo-vigilância, dos sistemas de alarme nos automóveis e residências, entre outras medidas. Os pequenos furtos ocorrem agora com menos intensidade, mas cresce “um tipo de crime mais violento, mais bem preparado e de maior complexidade”, como sejam os homicídios que têm afligido as noites na cidade do Porto. Mas não só. “Hoje, os cidadãos já compreenderam que este tipo de crime não se resume às áreas metropolitanas ou a zonas definidas como de maior incidência criminosa. Exemplo disso foram os crimes violentos ocorridos em 2007, em Viana do Castelo e Viseu, criando, além do sentimento de insegurança, uma alteração na rotina dos cidadãos relativamente à sua segurança pessoal e patrimonial”, refere o agente da PSP. Mesmo assim, Nelson Brito defende que, quando comparado com outros países europeus, Portugal é um País seguro. “Mas, apesar disso, o sentimento de insegurança cresceu vertiginosamente com o estado de alarme social que a periodicidade do crime violento impôs nestes últimos meses”, afirma o dirigente da ASPP. O grave é que, reconhecidamente, os meios de que a polícia dispõe não são suficientes para combater este crime mais organizado e complexo. “Os meios de comunicação individual, o parque automóvel, o armamento, os equipamentos de segurança e protecção individual, bem como, os equipamentos para partilha de informações são bens precioso e indispensáveis ao cumprimento da missão da PSP” que ou se encontra, obsoletos ou, pura e simplesmente não existem. O dirigente da ASPP acrescenta ainda a necessidade de revisão do estatuto profissional, da formação de base e contínua, o regulamento disciplinar, a estrutura de carreiras e o vencimento equilibrado com a exigência da Profissão” como aspectos que precisam igualmente de ser tidos em conta para que a polícia possa desempenhar as suas funções face à nova realidade. E diz mesmo que “depois de muitos cadernos reivindicativos entregues anualmente ao Ministério da Administração Interna, nada tem sido alterado com este Governo”. Tanto mais que, “nas últimas décadas houve um desinvestimento na PSP, fruto de políticas desajustadas ou irresponsáveis por parte daqueles que têm por dever governar, ao ponto de ser imprescindível investir em quase todas as áreas, desde a construção e reconstrução de esquadras à aquisição de mais viaturas e de maior qualidade, passando pela adequação da estratégia policial à nova realidade, pela melhoria da qualidade e frequência na formação contínua dos profissionais até à alteração dos métodos e procedimentos da actuação policial”, conclui Nelson Brito.
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