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Segunda, 06 Fevereiro 2012
 
 
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Custo de vida aumenta mais do que a inflação PDF Imprimir EMail
Escrito por Ana Goulart   
Quarta, 05 Março 2008

ImageNo início do novo ano, os anúncios dos aumentos de preços não se fizeram esperar e, quase todos eles, aumentam mais que a inflação prevista pelo Governo que, recorde-se, é de 2,1 por cento. Mas com o preço do petróleo a fixar-se acima dos 100 dólares por barril é de prever que novos aumentos se venham a verificar no decorrer de 2008. Quanto aos aumentos salariais não é de esperar que superem os 2,1 por cento.
Ainda não será em 2008 que os portugueses vão recuperar poder de compra. Depois de no ano passado terem visto os preços dos bens de primeira necessidade aumentarem acima do valor da inflação (2,8 por cento em Novembro de 2007), este ano, serão confrontados com novas subidas, algumas das quais a atingirem valores bastante superiores ao da inflação como é o caso do pão, cujo aumento poderá atingir os 30 por cento. O ano passado, este produto com um peso significativo na dieta alimentar dos portugueses, aumentou 20 por cento. Em parte este crescimento é explicado com o aumento do preço dos cereais o que também terá impacto noutros alimentos como a carne e os ovos
Mais caros vão ficar igualmente o leite e seus derivados, sendo esperadas subidas entre os 5 e os 10 por cento. Também o ano passado, estes bens de primeira necessidade registaram crescimentos nos preços superiores aos da inflação.
Igualmente mais caros estão os transportes públicos com as tarifas a crescerem mais 3,8 por cento. Entre 2002 e 2007, os transportes aumentaram quase 30 por cento, mais 64 por cento do que a inflação e as transportadoras exigiram já um aumento intercalar durante este ano. Também as portagens serão aumentadas em 2,6 por cento. Ou seja, viajar tornar-se mais caro, não só devido ao actual preço que o petróleo regista.
A electricidade tem também já definido um aumento de 2,9 por cento, enquanto que o gás propano deverá ser mais caro entre 4,3 e 5,2 por cento. Apenas a água, a julgar pelo anunciado pela maioria dos municípios portugueses, se deverá ficar por um aumento de 2,1 por cento, isto é, de acordo com a inflação prevista pelo Governo para 2008.
Outra área em que foram já publicitados aumentos é a da saúde. Mais quatro por cento para as taxas moderadores que, em 2007, subiram 7,5 por cento – três vezes mais que a inflação registada – e os serviços hospitalares a ficaram mais caros 53,8 por cento. Na educação, por enquanto, não são conhecidos aumentos, mas é prever que também venham a verificar-se aquando do início do novo ano escolar em Setembro.
A crise do imobiliário nos Estados Unidos da América poderá estender-se à Europa e com isso fazer subir mais as prestações dos empréstimos que, no ano passado, subiram 20 por cento. Para já não são conhecidas quaisquer intenções de fazer subir as taxas de juro – Euribor -, mas também não está perspectivada a sua descida. Assim, os custos com os empréstimos para aquisição de habitação manter-se-ão elevados (representam parte importante do endividamento das famílias), enquanto que as rendas de casa terão uma actualização de 2,5 por cento para os contratos anteriores a 1968, e de 3,75 por cento para os posteriores. Mas a estes podem somar-se aumentos extra, decorrentes da aplicação da nova lei das rendas.

Petróleo e salários

Com o preço do barril de petróleo a atingir os 100 dólares é de esperar novo agravamento da gasolina e do gasóleo. Estes aumentos poderão ter como consequência a subida de outros produtos, nomeadamente os mais dependentes da subida dos combustíveis e que não apenas os transportes. Embora o Governo tenha abdicado de aumentar o Imposto sobre Produtos Petrolíferos – quer o aumento anual, quer o aumento intercalar de 2,5 cêntimos por litro - que estava previsto no Programa de Estabilidade e Crescimento, não será de espantar um novo agravamento dos preços. Até porque se gasolina e gasóleo mantêm, para já, os preços, o mesmo não se pode dizer do gás de petróleo liquefeito (GPL) que subirá 4,7 por cento. Sobe igualmente o gás natural, com aumentos entre os 1,2 e os 5,96 por cento.
Assim sendo, em 2008 não são esperadas melhorias na vida dos portugueses que continuarão a ver o custo de vida a subir mais que os seus rendimentos e prosseguirão em divergência com os outros povos da Europa.
Mesmo face a todos estes aumentos, o Governo insiste em actualizar os salários da função pública em apenas 2,1 por cento. É sabido que os privados se aproveitam deste valor como referencial para aumentarem os salários, pelo que é de prever que, na generalidade, os salários não acompanhem o crescimento da inflação registada em 2007 (2,8 por cento), nem a prevista para 2007 (2,4 por cento segundo o Banco de Portugal, o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia). O mesmo é dizer que os portugueses vão continuar a perder poder de compra.
A excepção à regra é o salário mínimo (smn) que tem o aumento fixado em 5,7 por cento, passando para 423 euros mensais, o que corresponde a uma reivindicação da CGTP e a um acordo estabelecido em sede de Concertação Social (com o desagrado das associações patronais) de que o smn atinja os 500 euros em 2010.

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