| A Voz do Operário: Trabalho que merece e exige ser continuado |
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| Escrito por Estela Rocha | |
| Quarta, 05 Março 2008 | |
“Soubesse eu escrever, que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal. Bem ou mal, o que lá se disser é a verdade.“. Foi esta a frase de Custódio Gomes, manipulador de tabaco, que deu origem ao Jornal A Voz do Operário a 11 de Outubro de 1879. Posteriormente, a 13 de Fevereiro de 1883, é fundada a Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário… E agora, passados 125 anos, a instituição e o seu trabalho perduram, tendo o seu mérito sido reconhecido por diversas vezes.Durante 125 anos, A Voz do Operário desenvolveu um trabalho muito amplo, tendo presentemente duas escolas, Graça e Ajuda, cujo objectivo é dotar centenas de crianças de competências e instrumentos que potenciem o seu desenvolvimento e adaptação ao contexto social onde se inserem, de uma forma crítica e sustentada, em consonância com princípios de Justiça, Reciprocidade e Solidariedade. E são estes mesmos valores que estão subjacentes às diversas áreas em que a Voz actua, nomeadamente no Apoio Social, onde engloba Apoio ao Domiciliário, Centro de Dia, Posto de Saúde e Balneário. Ou no conjunto de actividades de âmbito associativo e cultural que promove, tão distintos como, a Marcha Infantil, ciclos de cinema, eventos desportivos ou o próprio Jornal. E esta apresentação poder-se-ia estender…, mas creio ser já ilustrativa do valor de A Voz, que não obstante o esforço de muitos, continua a enfrentar vários problemas, nomeadamente de ordem financeira, substituindo-se ainda assim, ao papel de várias entidades públicas. É um quotidiano difícil, árduo…mas percorrido com a certeza de que merece e urge ser continuado! Veja-se, o diminuto investimento que é feito na Educação, traduzido em constantes ataques aos professores e aos alunos, caminhando-se no sentido de privar muitos do acesso à Educação, incrementando-se condições e vínculos precários de trabalho. No plano da Saúde, fecham-se hospitais, centros de saúde e maternidades, e criam-se parcerias com entidades privadas, desde hospitais a farmácias, que atendendo ao investimento que fazem naturalmente pensarão um modo estratégico e economicista. Mais, propagandeiam-se reformas da Segurança Social, que retiram poder de compra e implicam o decréscimo das reformas. Mais, fomenta-se o flagelo do endividamento das famílias. E mais, e mais, e mais… E porquê? Porque sim… E é também pela falta de consistência e fundamento destas medidas, de que nos vemos alvo, que o trabalho de A Voz tem de ser mantido, porque apesar dos seus 125 anos de existência, o seu contributo continua a ser necessário e condicionante do futuro de muitas crianças, homens e mulheres. E é pela imponência destas necessidades que queremos tornar o ano de 2008, um ano de solidariedade com A Voz do Operário, porque esta casa precisa de amigos que reconheçam o seu valor e porque se compromete a continuar o seu trabalho solidário... “Há homens que lutam um dia e são bons; há outros que lutam um ano e são melhores; há os que lutam muitos anos e são muito bons; há os que lutam a vida inteira esses são imprescindíveis.” (Brecht) E como, “ é lento ensinar por teorias, mas breve e eficaz fazê-lo pelo exemplo” (Séneca) mostremos Solidariedade com A Voz do Operário, mostremos reconhecimento pelo seu trabalho e sobretudo reconheçamos a premência do mesmo ser continuado! |

“Soubesse eu escrever, que não estava com demoras. Já há muito que tínhamos um jornal. Bem ou mal, o que lá se disser é a verdade.“. Foi esta a frase de Custódio Gomes, manipulador de tabaco, que deu origem ao Jornal A Voz do Operário a 11 de Outubro de 1879. Posteriormente, a 13 de Fevereiro de 1883, é fundada a Sociedade de Instrução e Beneficência A Voz do Operário… E agora, passados 125 anos, a instituição e o seu trabalho perduram, tendo o seu mérito sido reconhecido por diversas vezes.


