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Partido Socialista perde votos e deputados
| Jornal - Nacional |
Com a abstenção a atingir novo recorde, as eleições para ao Parlamento Europeu, do passado dia 7 de Junho, resultaram numa clara vitória das forças da esquerda, aquelas que conseguiram melhores resultados percentuais e absolutos comparativamente com o escrutínio de 2004. O grande derrotado foi, sem margem de dúvida, o Partido Socialista que perdeu quatro mandatos e mais de meio milhão de votos.
Penalizado nas urnas pela sua política de direita e um cabeça de lista pouco convincente, o PS sai a perder das eleições europeias em número de votos e de mandatos. Sendo certo que, neste mandato que deverá iniciar-se em Julho, Portugal dispunha de menos dois deputados – passou de 24 para 22 -, o não é menos que são os socialistas portugueses, os únicos que viram a sua representação em Estraburgo diminuir, elegendo 7 deputados, contra os 12 que tinham conseguido eleger em 2004.
O insucesso das políticas do Executivo de José Sócrates é na opinião generalizada dos analistas, responsável pela derrota sofrida nas urnas, no dia 7 de Junho. Comparativamente com 2004, o PS passa de 44,52 por cento dos votos para 26,58 por cento e de 1.511.214 para 946.475 votos, isto é, perde em termos percentuais e absolutos uma enorme fatia do seu eleitorado.
Porém, e ao contrário do que a comunicação social subordinada aos grandes interesses económicos fez e faz passar de que o PSD seria o grande vencedor das últimas europeias, os números não o revelam. De facto, o PSD aumenta o número de deputados, passando de sete para oito, mas a comparação em termos de votos torna-se difícil de fazer dado que nas eleições europeias de 2004, os social-democratas concorreram coligados com o CDS. Juntos haviam somado 1.129.072 votos, o que correspondeu a 33,26 por cento dos eleitores votantes, agora o PSD alcançou 1.129.243 (31,71 por cento do eleitorado) e o CDS 298.057 (8,37 por cento do eleitorado), mantendo os dois deputados que já detinha. Os dois partidos de direita revelam subidas, mas não tão expressivas quanto se quer fazer crer.
Esquerda sobe
A vitória canta-se à esquerda. A CDU festeja o facto de em condições adversas ter conseguido somar mais cerca de 70 mil votos que em 2004, muito por força de uma campanha mobilizadora e de esclarecimento em que se empenharam os miltantes do PCP e outros democratas, rompendo assim a hostilidade que lhe é demonstrada pela comunicação social enfeudada que, no entanto, trata com simpatia o Bloco de Esquerda (BE), o que acabou por lhe ser favorável, tendo os bloquistas conseguido passar de um deputado em Estrasburgo para três e obtido cerca de 110 mil votos mais, sendo a força política que mais capitalizou o descontentamento dos portugueses para com o Governo socialista de José Sócrates.
Assim, a CDU passou de 308.873 votos alcançados em 2004 para 379.707, em 2009, o que, em termos percentuais corresponde a uma subida de 9,1 para 10,66 por cento.
Por sua vez, o BE passa de 167.039 votos conseguidos em 2004 para 382.011, em 2009, e de 4,92 por cento do eleitorado para 10,73 por cento.
Recorde-se que ambas as formações políticas, CDU e BE, integram a mesma família política no Parlamento Europeu – o Grupo Confederal da Esquerda Unida/ Esquerda Nórdica Europeia.
Abstenção e votos em branco
A campanha eleitoral europeia foi pautada por acusações entre os dois maiores partidos europeus sobre a política nacional. Mais um factor a contribuir decisivamente para o alheamento dos portugueses em relação aos temas europeus, pese embora, actualmente muitas das decisões tomadas pelas instâncias da União Europeia (UE) tenham um peso decisivo a nível nacional.
Sem nunca terem oportunidade de se pronunciar sobre a UE, sem terem sido devidamente informados e formados sobre o que a nossa adesão significava ou qual os efeitos da moeda única na nossa economia, ou ainda, mais recentemente, o que representa para Portugal a subscrição do Tratado Europeu que José Sócrates recusou referendar, os eleitores portugueses são dos que menos participam nos actos eleitorais europeus. Este ano, a abstenção atingiu os 63,3 por cento, contra os 61,2 registados em 2004.
Outra dado que evidencia o protesto do eleitorado é o voto em branco que, no último escrutínio, chegou quase aos cinco por cento. Desencatados com o caminho trilhado pelos partidos do chamado arco do poder – PS, PSD e CDS – que há três décadas têm vindo a afastar os cidadãos da participação democrática, esvaziando mesmo a democracia e atropelando os valores de Abril, os eleitores escolhem o voto em branco como forma de demonstrar o seu descontentamento com as políticas dominantes.
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