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Cavaco eleito por apenas 23% dos eleitores inscritos
| Jornal - Nacional |
Com a abstenção, os votos brancos e os nulos a baterem recordes, Cavaco Silva foi reeleito com o menor número de votos da história das eleições presidenciais em Portugal. O candidato da direita volta a Belém depois de reunir os votos de menos de um quarto do eleitorado. Por seu turno, Manuel Alegre ficou-se muito aquém do resultado obtido em 2006, tendo entre os dois actos eleitorais perdido mais de 300 mil votos, embora agora tivesse sido apoiado por PS e BE. Fernando Nobre arrecadou meio milhão de votos e Manuel Coelho, o designado candidato da Madeira, quase 200 mil. Francisco Lopes superou a fasquia dos sete por cento, enquanto Defensor de Moura não foi além de 1,57 pontos percentuais. Mas o escrutínio ficou também marcado pelo aumento de votos brancos e nulos, respectivamente, 4,26 por cento e 1,93 por cento. A Abstenção elevou-se aos 53,37 por cento. Desencantados, os portugueses não foram às urnas, deixando tudo como estava e fazendo perpetuar as políticas de direita, as injustiças sociais e os ataques aos direitos de quem trabalha.
Os resultados das presidenciais de 23 de Janeiro de 2011 atribuíram a Cavaco Silva 52,94 por cento da votação, o que corresponde a 2.230.104 votos; em 2006, Cavaco tinha obtido 50,54 por cento da votação, mas cerca de meio milhão de votos mais (2.773.431). Desta comparação resulta que o Presidente da República reeleito também é responsabilizado pelo eleitorado pelas políticas governativas e que o seu primeiro mandato não está isento de críticas; Cavaco apadrinhou todas as medidas de austeridade impostas pelo directório de Bruxelas (e aplicadas pelo Governo de José Sócrates) e o eleitorado não deixou de o reconhecer. Aliás, em 2006, mais de 30 por cento dos votantes depositaram o seu voto em Cavaco Silva, nas eleições do passado dia 23 apenas 23,16 por cento o fizeram.
Também penalizado pelas políticas governativas foi o candidato apoiado pelo Partido Socialista e pelo Bloco de Esquerda. Manuel Alegre não foi além de 19,75 por cento, tendo obtido 831.959 votos: em 2006, o então candidato “independente” conseguiu 1. 138.297 votos.
Apontado como uma das surpresas do escrutínio, Fernando Nobre, que alegadamente contou com o apoio de Mário Soares, quedou-se em terceiro lugar com 14,1 por cento da votação, o que equivale a 593.868 votos. Há cinco anos, Mários Soares obteve 785.355 votos. Eventualmente, o presidente da AMI retirou votos a Manuel Alegre, mas não conseguiu aproximar-se da votação obtida por Soares em 2006. Seja como for, o resultado obtido por Fernando Nobre reflecte o descontentamento de parte do eleitorado com o actual quadro político português.
Francisco Lopes, o candidato apoiado pelo PCP e PEV alcançou 7,14 por cento da votação, correspondente a 300.840 votos, menos cerca de 175 mil que os conseguidos por Jerónimo de Sousa em 2006. A abstenção também penalizou o candidato comunista.
Tido como outra das surpresas das presidenciais de 2011, Manuel Coelho, candidato madeirense, arrecadou 4,5 por cento das intenções (189.340 votos), conseguindo na Madeira ser o segundo mais votado.
Por último, Defensor de Moura não conseguiu mais que 1,57 por cento da votação, traduzido em 66.091 votos.
Deixar tudo na mesma
Nas presidenciais de 2006, dos 9.085.339 eleitores inscritos nos cadernos do recensamento, 5.590.132 exerceram o seu direito de voto, o que deixou a abstenção nos 38,47 por cento. Nas presidenciais de 2011, dos 9.629.630 eleitores inscritos, apenas 4.490.046 usaram o seu direito de voto, elevando a abstenção para um nível recorde de 53,37 por cento.
Nas presidenciais de 2011 há que referir ainda o número de votos em branco – 191.159 (4,26 por cento) – que mais que triplicou em relação a 2006 (59.636, em 2006) e o número de votos nulos – 86.543 (1,93 por cento) – que cresceram para o dobro (43.149, em 2006).
Eleito à primeira volta, tal como anunciavam as sucessivas sondagens divulgadas durante o período da campanha eleitoral, Cavaco Silva mantém-se no cargo de Presidente da República.
A opção da maioria dos eleitores pela abstenção, em grande parte devida ao desencanto, acabou por deixar tudo na mesma, impedindo a mudança que se impunha como necessária e urgente. Não exercendo o seu direito e o seu dever cívico, milhares e milhares de portugueses descontentes com as injustiças e o retrocesso social de que Portugal vem sendo alvo acabaram por impedir a ruptura com as políticas e as medidas que conduziram o País à actual situação. A resignação e o conformismo acabaram por determinar a vitória de Cavaco Silva.
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