Estou na fila dos bilhetes. Ambiente barulhento e stressante. Faço o pagamento e começo a dirigir-me para a sala de cinema – vejo, em letras grandes, uma placa por cima da porta, na qual estava escrito, “Who wants to be a millionaire?”. Entrei. O filme acabara de começar.
Índia. Cidades labirínticas, casebres, fome. Dois irmãos, chamados Jamal e Salim, brincavam descalços e mal vestidos pelas ruas cheias de lixo, quando, de repente, entraram pelo bairro vários homens com paus ferindo as mulheres que se encontravam a lavar a roupa nos velhos tanques de água turva e todo o resto daquela inócua população. Uma delas era a mãe de Jamal e Salim.
Os pobres rapazes, pequenos ainda como eram, ficaram entregues ao mundo da rua, da extrema pobreza, da subnutrição – ficaram entregues a este mundo subdesenvolvido que ainda atinge enormes proporções em todos os continentes, devido a grandes desigualdades na distribuição da riqueza.
Certo dia, os dois irmãos foram apanhados por um grupo de homens que se aproveitavam dessas crianças órfãs para os porem a pedir na rua. Cegavam-nas e, desta forma, as pessoas, com certeza, teriam pena delas, dando-lhes uma pequena moeda. Eram homens cruéis, sem quaisquer escrúpulos. Os dois irmãos, no meio dessas organizações criminosas, conheceram uma rapariga que se colou na memória de Jamal e não descolava, não descolava…
Entretanto, imensas coisas foram acontecendo no dia-a-dia destes rapazes, agora já crescidos, até que Jamal decide ir a um concurso de televisão – o famoso programa “Quem quer ser milionário?”. O rapaz impressionou o mundo com a sua capacidade mental. Cada pergunta estava relacionada com vários acontecimentos que surgiram na sua mísera vida de rua. Ele ganhou.
As luzes acenderam-se e o filme terminou. Saí da sala a reflectir sobre a enorme pobreza e criminalidade que está acentuada na Índia e no resto do globo. Infelizmente, tudo isto é recente…